Memórias do cinema de rua - Andre Sturm


Um dia muito especial
Por Andre Sturm - Cineasta, produtor e gestor cultural. Diretor do MIS-SP e Belas Artes Grupo.

Uma das lembranças mais antigas que tenho na vida é de estar num cinema, próximo de onde morava, com meus pais, assistindo ao desenho Bambi. Eu não devia ter mais de quatro anos.

Depois, mudamos para uma casa num bairro mais distante e, todos os sábados, eu pegava o Jornal da Tarde (que meu pai lia na época) para ler as críticas dos filmes que estreavam e procurar aqueles que fossem livres, para pedir que ele e minha mãe me levassem.

Num domingo, meu pai decidiu nos levar para assistir a um filme num cinema que ficava na Avenida Santo Amaro, o Vila Rica. Chegamos lá e havia uma enorme fila. Achamos o final e lá entramos. Garoava. Isso foi no início dos anos 1970. Portanto, era um cinema de rua, e a fila virava a esquina.




Vagarosamente, a fila andava. A excitação aumentava conforme nos aproximávamos do cinema e da bilheteria. Quando finalmente chegou nossa vez, meu pai pediu três ingressos. O bilheteiro respondeu que os ingressos haviam acabado naquele momento. Sala lotada.

Eu e meu irmão estávamos ali ao lado. Meu pai olhou para nós e viu o olhar de gigantesca frustração. Voltou ao bilheteiro e pediu, por favor. Disse que tínhamos vindo de longe e que topávamos sentar no chão.

Foi a vez de o bilheteiro nos olhar. Olhou para meu pai, imprimiu os três ingressos e os entregou, dizendo que tínhamos de nos sentar no chão.

Outros tempos.

Era um cinema enorme, completamente lotado, para uma comédia italiana com Terence Hill e Bud Spencer. Sentamos os três no chão, e eu fiquei orgulhoso da determinação de meu pai.

Eu devia ter oito anos naquele dia.

Foi uma das melhores sessões de cinema da minha vida. Toda a aventura para entrar; assistir sentado no chão - o que dava um sentimento de contravenção -; e o filme, uma comédia inesquecível, que me fez ser fã da dupla pelo resto da vida.

Como diria Ettore Scola, “Um dia muito especial”!



São Paulo (SP), 09 de agosto de 2026.

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BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.