CINE MARQUISE, o histórico cinema do Conjunto Nacional

Por Antonio Ricardo Soriano




Conheça um pouco da história do CINE MARQUISE :

Foi inaugurado em 09/03/1963, com o nome de cine Rio, pela Empresa de Cinemas Rio Ltda., de propriedade de José Bruno, Nicolino Somma e Emilio De Fina. "O Assassino", do cineasta e roteirista italiano Elio Petri, com Marcello Mastroianni, Cristina Gajoni e Micheline Presle foi o filme escolhido para a inauguração. Tinha uma plateia com 500 lugares.

Anúncios de 08/03/1963



Um grande incêndio atingiu parte do Conjunto Nacional em 04/09/1978, inclusive o cine Rio. O jornal 'Folha de S.Paulo' noticiou que o cinema teve um pequeno foco de incêndio no interior da sala de projeções e que ficou totalmente úmido devido a água utilizada no combate às chamas. Mas não informou quanto tempo deixou de exibir filmes e se, realmente, houve interrupção, já que as sessões do filme nacional "Chuvas de Verão" (1978) continuaram sendo anunciadas diariamente até 15/10/1978 (Domingo). O cinema entrou em reforma no dia seguinte, em 16/10/1978, reabrindo em 05/02/1979, com o filme italiano de animação 
"Música e Fantasia" (1976).





















Em 12/11/1982, o cinema passou a integrar o circuito Cinearte, da empresa F. J. Lucas, com o nome Cine Arte Um e programação do experiente Dante Ancona Lopez. O primeiro filme exibido foi “Mamãe faz 100 anos”, do cineasta e roteirista espanhol Carlos Saura.

“Temos um público considerável para o filme de melhor categoria e dispensamos, graças a nossa sensibilidade, os exemplos e as lições alienígenas. Tudo será desenvolvido em torno do lema “espetáculo, polêmica e cultura”, que norteou as atividades da SAC - Sociedade Amigos da Cinemateca - da qual fui presidente durante oito anos, de 1967 a 1975. Ela nasceu de uma sugestão de Paulo Emílio Salles Gomes com o intuito de atrair o público mais exigente. Por isso, o Cinearte o adota agora”, disse Dante Ancona Lopez, para o jornal ‘Folha de S.Paulo’, de 07/11/1982.

O saguão do Cine Arte Um era usado como galeria de arte e a primeira exposição, chamada “Psicologia Também É Arte”, iniciou-se já na inauguração do renovado cinema. Depois, em 04/11/1983, estreava “Gravuras da Itália”, com obras de Rafael, Canaletto, Piranesi, entre outros. Completava a exposição, reproduções de 12 mosaicos de Pompéia e livros de arte italiana à disposição do público para consulta.

“O que pretendemos, inclusive, é organizar esses eventos extras de acordo com a temática dos filmes, desde que seja possível”, afirmou Dante Ancona Lopez.




Uma segunda sala foi construída e inaugurada em 15/09/1995, com o filme "Cortina de Fumaça", de Wayne Wang. O cinema passou anunciar exibições de novos filmes como Cinearte Sala 1 e Cinearte Sala 2. A primeira sala passou a ter 300 lugares e a nova, 150 lugares.


Uma exibição antecipada e exclusiva do premiadíssimo filme italiano "A Vida É Bela", de Roberto Begnini, presenteou os cinéfilos em 23/01/1999, numa sessão à meia-noite.




Em 2001, o cinema mudou de nome para Cinearte e passou a ser administrado por Adhemar Oliveira e Leon Cakoff
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Mas, em 2003, passou a operar deficitariamente e ficou sob ameaça de fechamento. A situação mobilizou frequentadores, moradores da região e o poder público. Primeiro com um abaixo assinado, iniciado desde as primeiras sessões do filme "Durval Discos", de Anna Muylaert e, depois, com a criação da campanha 'SOS CINE ARTE', coordenada por Vilma Peramezza, síndica e gerente geral do Condomínio Conjunto Nacional.

Uma vigília cinematográfica foi realizada em 25/04/2003. As duas salas do Cinearte abriram às 22 horas, exibindo filmes até as 6 horas da manhã do outro dia. O objetivo da 'Maratona SOS Cinearte' foi atrair a atenção do público e de possíveis interessados em investir na manutenção das salas. O resultado foi excelente e serviu para reabrir, posteriormente, o cinema.

Depois de uma grande reforma, o cinema foi reinaugurado, em 22/10/2005, como Cine Bombril, com a exibição do filme "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, numa noite só para convidados. Um nome não muito adequado ao cinema, mas valeu a pena, pois a empresa investiu muito no espaço. Além de modernos equipamentos de som e projeção, o cinema recebeu nova decoração e acomodações e, na sala 1, poltronas de 64 cm. de largura e distância de uma fileira para a outra de 1,25 metros.

















Em 03/09/2010, mudou-se o patrocinador, o layout e a decoração, passando a chamar-se Cine Livraria Cultura.

Mais uma vez o cinema perdeu o patrocínio e, em 18/06/2015, passou a chamar-se Cinearte. Seguiu firme com programação de filmes de excelente qualidade e a sala 1, como uma das melhores da cidade.




Em 29/05/2018, uma sessão especial reinaugurou o cinema, desta vez, com o patrocínio da Petrobras, com o filme "Paraíso Perdido", de Monique Gardenberg. O cinema passou a se chamar
Cinearte Petrobras.






Em março de 2019, o contrato com a empresa estatal não foi renovado. Em 19/02/2020, o cinema exibiu o filme "Parasita", como sua última sessão.

"O Cinearte é uma luta que travamos há 22 anos. Mas, neste momento de conjuntura inglória, é altamente necessário para esse modelo com filmes independentes ter parcerias", disse Adhemar Oliveira, proprietário e programador do cinema. 

E disse mais: "Quando se trabalha com blockbuster, você é um operador da sala. O cinema independente exige que se construa tanto a sala quanto o filme".

Mas, em 2021, graças a criatividade, coragem e competência de Marcelo J. L. Lima, CEO da Tonks e realizador da Expocine, o cinema reabriu inteiramente novo! Nas duas salas: telas, poltronas, som, projeção... tudo novo! 

O Cine Marquise foi inaugurado oficialmente em 19/10/2021, com o patrocínio da Globoplay, Sabesp e EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia, e teve como primeira exibição, o filme "Noite Passada em Soho", abrindo a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 

INAUGURAÇÃO
Texto de Renata Vomero, repórter da Revista Exibidor, do Grupo Tonks.
Fotos: Márcio Neves












CINE MARQUISE

Sala Globoplay 1 - 370 lugares - Com sistema de som Dolby Atmos
Sala Globoplay 2 - 96 lugares

A primeira fileira das salas possui poltronas duplas espaçosas, que permitem aos espectadores assistirem aos filmes deitados. Sistema de som Dolby, telas perolizadas e projeção digital Christie. Também conta com cafeteria e bombonière.

Endereço : 
Conjunto Nacional - Piso térreo
Avenida Paulista, 2073 - Bela Vista
Rua Padre João Manuel, 100 - Cerqueira César

Última atualização: 03/01/2022

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BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.