Cinemas pelo mundo: L’Eden Théâtre (França)

Por Antonio Ricardo Soriano

O “L’Eden Théâtre” é o teatro mais antigo em funcionamento no mundo. Localizado em La Ciotat, foi construído através da iniciativa de Alfred Seguin e inaugurado em 15 de junho de 1889.

O teatro foi comprado, anos mais tarde, por Soula Adelaide e seu marido Raoul Gallaud, que era amigo de Antoine Lumière. Em 1895, foi realizada no teatro, uma projeção cinematográfica privada, organizada pelos irmãos Lumière. A primeira sessão de cinema comercial do “Eden” ocorreu em 21 de março de 1899, com programação de filmes dos irmãos Lumière, portanto, o “Eden” é considerado o cinema mais antigo do mundo. Ainda hoje, a sala está intacta, no estado original.

Inicialmente, o “L’Eden Théâtre” era uma sala de concertos, que sediava shows de variedades (teatro, acrobatas, etc.), bem como esportes de gala (boxe, luta greco-romana, etc.).

Em 12 de fevereiro de 1996, o teatro foi incluído no inventário dos monumentos históricos e é uma propriedade da cidade de La Ciotat desde 1992, quando a Câmara Municipal o salvou da demolição.

O "Eden" está sendo cuidadosamente restaurado, através da ajuda financeira do Governo francês e da União européia. Sua reinauguração está prevista para ocorrer junto com o projeto cultural Marseille-Provence 2013.

Localização: Boulevard Clémenceau, 13600 - La Ciotat

Provence-Alpes-Côte d'Azur

Cinemas pelo mundo: Dore (Espanha)

Por Sergio Zeiger (Blog “Gabinete de Curiosidades”)

O Cine Dore é um lugar totalmente nostálgico em Madrid para assistir filmes que vão desde jóias do cinema mudo aos vencedores de festivais do mundo inteiro.



O cinema, construído em 1923, recebeu grandes obras de restauração de 1982 a 1989 e hoje é mantido e patrocinado pela Cinemateca Espanhola.



Oferece aos cinéfilos um café, livraria e filmes interessantes não distribuídos em outros cinemas. Se você puder, assista a um filme na Sala 1, a principal, que foi reconstruída com a decoração modernista original.



A programação está disponível em versão impressa (em espanhol) na bilheteira, na sede da Cinemateca e também on-line.



Localização: Santa Isabel, 3 (Metrô: Antón Martín) - Madrid

Cinemas pelo mundo: Le Grand Rex (França)

Por Sergio Zeiger (Blog “Gabinete de Curiosidades”)

"Le Grand Rex" não é só grande no nome, mas também no tamanho. Com decoração dos anos 30, o cinema já foi tombado históricamente e é definitivamente o maior templo do cinema na Europa.

Ele foi inaugurado em 1932 e acompanhou a história de paris desde então, pois foi utilizado pelos alemães e depois serviu como centro de refugiados. Hoje o lugar voltou à sua função de origem, garantindo o entretenimento de muitos franceses.

Localização: 1, boulevard Poissonière -75002 - Paris

Metrô: Bonne Nouvelle (linhas 8 e 9)

A fila de cinema

Crônica de Shajanan Flora, publicada no jornal "Folha da Manhã", de 08/01/1952.
O
único divertimento do paulistano. Sim, se não é o único, ao menos parece ser; mesmo porque além desse são pouquíssimos os outros. Por isso mesmo, o que acontece é que aos domingos, vésperas de feriados ou sábados, as casas de cinema desta capital ficam superlotadas. O paulistano gostou tanto desse seu divertimento quase único que o resultado não se fez esperar: surgiram cinemas e mais cinemas, salas e mais salas e cada um procura superar o outro em luxo, conforto, beleza. Todos sabem que os cinemas de São Paulo são os melhores do Brasil, senão da América do Sul.
Existem atualmente perto de cento e cinquenta cinemas nesta capital; só no centro existem duas dezenas e por isso mesmo esse centro é chamado Cinelândia.
Pois bem. Apesar dessa fartura de casas de espetáculos, apesar do desenvolvimento desse setor, apesar da vastidão das salas de projeção, o fato é que, nesta terra, ir ao cinema não quer dizer apenas "ir ao cinema". Antes, durante e depois, o paulistano passa por uma série de acontecimentos que, para falar verdade, não sei se deveriam aumentar o preço desse espetáculo eclético ou diminuí-lo; isso, por uma simples razão: acontece tanta coisa "fora do programa" que, se levarmos em consideração o lado pitoresco, deveríamos pagar mais; mas se, ao contrário, levarmos em consideração os sacrifícios, tropeços e aborrecimentos, deveríamos pagar menos ou não pagar.
Para começar: os cinemas não exigem sacrifícios apenas dos que pretendem ver uma fita, mas também dos que não têm nada a ver com a história; assim é que aquelas filas enormes, aquelas verdadeiras serpentes que se movem lentamente pela calçada afora, por vezes dando a volta à esquina, além de deixar em mísero estado os pés dos candidatos a ver um filme, ainda atrapalham os que por ali transitam. Antigamente existiam as pessoas do tipo "boa vida", que, com a cara mais angelical do mundo, chegavam para aquelas que estavam quase na bilheteria e pediam para comprar a entrada; felizmente, o paulistano já tem a resposta sensata que, neste caso, não se faz esperar: "Perdão cavalheiro (ou senhora); o fim da fila é lá" e aponta para a última pessoa, como quem diz: se eu entrei na fila e esperei esse tempo todo, por que ele (ou ela) não pode também fazer o mesmo? Por que eu hei de "bancar o otário?".
E enquanto não chega a sua vez de comprar a entrada, dá uma olhadela nos que ainda nem entraram na fila: é um rapaz que certamente espera a namorada; uma ou duas garotas que olham de minuto em minuto para o relógio: "que demora!" ou então é ainda aquele rapaz que, de todo garboso, murchou como quê; a causa? ora, "ela" prometera que estaria ali naquela hora, mas... não com a mamãe!
Chega, enfim, à bilheteria. Duas pessoas atendendo. Rápidas, velozes, mas humanas e, portanto, não tão rápidas e a prova disso é a fila enorme, serpenteante, longa, lá fora. O aviso "sujeito à espera" já é tão comum que ninguém se aborrece mais. Afinal, vai ter mesmo que enfrentar outra fila para entrar na sala de projeção... Enquanto isso, o bilheteiro vai lhe dando o troco e ele, avisado já do "conto do troco", não "cai" mais e espera, direitinho até o final da conta.
Finalmente, eis o candidato a ver um filme na sala de projeção.
Escuridão. Acostuma a vista. Gente em pé, esperando o lugar. O aviso "sujeito a espera" vale desde a porta até a cadeira, por isso, paciência. Espera-se. Se é "sujeito a espera", tanto faz que seja para comprar bilhete, para entrar na sala, para sentar, para entrar no "toilette", para telefonar ou beber água; existem filas para tudo e o aviso estava lá, ninguém pode alegar ignorância do fato. É preciso esperar até pelos vagalumes (lanterninhas) - se quiser - porque existem os atenciosos, mas também os de má vontade, apesar dos níqueis e notas passadas no escuro...
Ahnnnn... Uff! Que alívio! Finalmente consegui um lugar. E intimamente pensa: agora posso ver calmamente o filme. Acomoda-se, procura não esticar as "asas" para os lados, mas - sempre o mas - esse camarada alto da frente bem que podia acomodar-se melhor na cadeira; justamente ali na sua frente, ele foi sentar-se.
Enfim, depois de tanto sacrifício, é melhor mesmo ficar ali sentado do que em pé; se não pode ver o filme direito, esperará pela outra sessão; essa já está quase no fim, afinal de contas.
Dali a pouco - plafft! - uma luz atinge-lhe o rosto em cheio como se fosse "flash" de fotógrafo de imprensa. Estarão procurando algum criminoso? Será que querem focalizá-lo para uma fotografia? Não, nada disso; apenas a luz "acariciante" da lanterna do vagalume à procura de um lugar; quase que a fileira toda foi atingida pelo jacto luminoso. É, esses vagalumes novatos, sem classe...
Tudo calmo. Parece que se acabaram as preocupações e os contratempos. Disse parece? Foi melhor, porque, na realidade, o que acontece é que não para aí o "programa extra" da expressão "ir ao cinema".
Existem ainda os casalzinhos que nos atrapalham a visão, tão juntinhos ficam; os "engraçadinhos" também constituem outro caso sério, desses que mexem com os nervos e a paciência de qualquer cidadão ou cidadã; também existem os "palpiteiros" errados, mas todos esses infratores, em compensação tem as suas punições; assim é que, se os casalzinhos nos atrapalham, em compensação os guardas e os vagalumes os atrapalham também; para os "engraçadinhos" existe a compensação dos beliscões e alfinetes que, tão logo "atingem o alvo" tanto mais depressa fazem com que eles sumam do nosso lado; se os palpiteiros soltam uma boa piada, a compensação é a risada geral; se dão palpite errado, em compensação ninguém ri e ele acaba por desistir. Para os que tem mania de cochichar, comentar o filme ou desembrulhar balas e chocolates, sem a menor consideração, existe a compensação de podermos dizer, acompanhados por mais meia dúzia: "pssssiiiiuuuu...".
E a última compensação: se entramos na hora certa da sessão e somos obrigados a participar daquela espécie de "estouro da boiada", daquela correria aos empurrões e pisões para conseguir um lugar, em compensação, quando termina a sessão saímos - só por espirito de vingança - calma e lentamente, enquanto a próxima turma espera ansiosa, atrás das correntes, pelo seguinte "estouro da boiada", pela hora do "salve-se quem puder".
E assim o paulistano se diverte ao ir ao cinema. e Luiz Carlos Pereira da Silva.

Anos de 1950: o auge dos cinemas em SP

por Antonio Ricardo Soriano.

Tínhamos na capital paulista, os melhores cinemas do Brasil. Os principais localizavam-se no centro, onde ocorriam as principais estreias do cinema mundial, que exigiam deles e do público, um grande luxo. O traje principal era terno ou paletó, e sem eles era impossível a entrada. Nos cinemas, os carpetes eram impecáveis, os lanterninhas bem uniformizados e gentis, as poltronas confortáveis e a projeção clara e nítida.
Além dos cinemas do centro - a “Cinelândia”, região especial para as grandes estréias - existia os cinemas de bairro, hoje inexistentes. Geralmente esses cinemas ficavam em pontos estratégicos e centrais em suas regiões e recebiam um público muito especial: idosos e as crianças, que na época encontravam-se para a troca de “gibis”. Os principais eram o Imperial (Moóca), Esmeralda (Perdizes), Samarone (Ipiranga), São Jorge (Tatuapé), Hollywood (Santana), Piratininga (Brás), Carlos Gomes (Lapa), Recreio (Lapa), Nacional (Lapa), São Luiz (Pirituba), Piqueri (Pirituba), Clipper (Freguesia do Ó), e muitos outros.
Mas vamos ao “centro” das atenções, a “Cinelândia Paulista”; na Avenida Ipiranga tinha os cines Marabá e Ipiranga; na Avenida São João, os cines Olido, Metro, Regina, Paratodos, Jussara, Opera, Art Palácio e o Rivoli; na Praça Ramos de Azevedo (Rua Conselheiro Crispiniano), o cine Marrocos; na Praça da República, o cine República; na Rua Barão de Itapetininga, o cine Barão e no largo do Paissandu, o cine Bandeirantes e Paissandu, e muitos outros que, se citados, não caberiam nesta postagem.
O cine Marabá, um dos principais lançadores de filmes, e que os trocava todas as semanas, teve em 1951, a oportunidade de exibir o primeiro filme dos estúdios da Vera Cruz (localizados em São Bernardo do Campo/SP), chamado “Caiçara”, numa noite de gala, onde se encontravam as estrelas do filme e a banda da Guarda Civil, além de um show de luzes de holofotes.
Fachada do cine Marrocos
No ano seguinte, inaugurava-se o cine Marrocos, o cinema mais luxuoso da América do Sul, que se qualificava pela grande construção em mármore branco. Possuía, e ainda possui grandes salas de espera e de projeção, um chafariz luminoso e um imenso hall de entrada, em estilo grego. Em 1954, ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo, ali se realizava, de 12 a 16 de fevereiro, o Festival Internacional de Cinema, com sessões especiais que tiveram a presença de nomes importantes da Sétima Arte, como Errol Flynn, Henry Langlois, Denise Werwake, Mazzaropi e outros. O filme de abertura do festival foi “Música e Lágrimas” (The Glenn Miller History).
Em 1954, a Comissão Municipal de Cinema, órgão da Secretaria da Educação e Cultura, tabelou os preços das entradas dos cinemas, diferenciados de acordo com as qualidades que eles ofereciam, isto é, com as quais eram classificados. Tais preços foram estabelecidos, houveram protestos, mas a “Cinelândia” continuou sendo o maior centro de diversão dos paulistanos (vencendo todos os esportes, bailes, shows de música, teatro, etc.). Mas tudo isto ocasionou a decadência dos cinemas de bairro, pois através de um estatuto da “Comissão”, os cinemas do centro se tornaram os únicos lançadores de novas produções.
Também em 1954, o cine República lançou inovações, como os filmes em Cinemascope, o som estereofônico e os filmes em 3ª dimensão, além de possuir, naquela época, a maior tela do mundo (250 m2).
Fachada do cine Olido
Duas inaugurações importantes ocorreram em 1957: as dos cines Olido e Paissandu. O Olido teve sua primeira projeção com o filme “Tarde Demais Para Esquecer”, e era o único a possuir um piano e uma orquestra. Já o Paissandu teve como “estranho” na época o uso de elevadores para chegar a sua sala de exibição.
Inauguração do cine Rivoli
Em 1958, surge mais uma “sala de emoções”: o cine Rivoli, que na noite de estréia exibiu o filme “A Volta ao Mundo em 80 Dias” e deixou erguido um enorme balão dirigível na Avenida São João. Tivemos, também, o surgimento das salas do Arcades e do Cairo.
No final dos anos 50, a cidade ganhava os cines Regina, Barão e Comodoro Cinerama. Alguns cinemas mudaram de nome, como o Bandeirantes, que passou a se chamar Ouro (com arquitetura em estilo Barroco); o Paratodos, depois Boulevard e o Rivoli, em seguida Ritz.
O Comodoro Cinerama foi inaugurado em 16 de Agosto de 1959 com o filme “Isto é Cinerama”. Ele trazia para o Brasil, um sistema único e exclusivo de projeção e som de estremecer as poltronas. Três projetores, simultaneamente, formavam uma imagem gigantesca, projetada em uma tela de 146 graus de curvatura.
Fotos do livro "Salas de Cinema em São Paulo", de Inimá Simões - 1990

Anúncios de antigos jornais

O "Vitaphone-Movietone" da Western Electric Co.
Neste sistema, o filme era exibido em sincronia com discos de vinil. Foi amplamente utilizado e comercialmente bem sucedido. Precedeu o Movietone, sistema de filme baseado na gravação em película. Para mais informações sobre estes sistemas, clique aqui.

Anúncio de 12/07/1929 divulgando a exibição do filme "Duas Gerações" no cine Republica.










Sistema Vitaphone de projeção sincronizado com áudio gravado em vinil.




















Anúncio de 20/09/1929 divulgando a estreia do filme "O Cantor de Jazz", para 23/09/1929, no cine República.






















Estreia no New York City Theatre.

















Anúncios de antigos jornais






















Cine Theatro Republica

HOJE
29 de Dezembro

Festejando hoje o seu primeiro anniversario, offerece ao distincto publico paulistano dois grandes espectaculos de gala em commemoração da auspiciosa ephemeride.

Interna e externamente, o theatro estará engalanado com flores, festões, folhagens, illuminação feérica de deslumbrante effeito.

Grande orchestra de 80 professores especialmente contratados para este faustoso dia. Regencia do proficiente maestro paulista MARTINEZ GRAU.

1ª sessão - ás 19 hs. em ponto

2ª sessão - ás 21 horas e meia

Cada sessão terá inicio com a execução da admiravel
PROTOPHONIA DO GRURANY
do immortal compositor brasileiro CARLOS GOMES.

Será em seguida focalisada na téla uma edição interessantissima do
ROSSI-ACTUALIDADES
Incontestavelmente o mais bello lavor da cinematographia nacional, produzido expressamente para o glorioso dia de hoje, que marca, tambem, o primeiro anniversario do apreciado "magazine-film".
Summario interessante de que se destacam as scenas capitaes do photo-drama "PERVERSIDADE", posado em S. Paulo por Innocencia Collado e Antonio Tagliaferro; da engraçada comedia paulista CARLITINHO, de que são interpretes os irmãos Vassallo; do drama social "PRELUDIO QUE REGENERA", por Lucia Lais e Waldemar Moreno e do cine-drama "A CULPA DOS OUTROS", por Medina Filho e Carlos Ferreira.

Assistiremos, após, as primeiras exhibições de uma das mais empolgantes obras da famosa marca norte-americana PARAMOUNT-ARTCRAFT

DE MARINHEIRO A COMMANDANTE

ULTIMA SUPER-PRODUCÇÃO ESPECIAL PARA 1922
SCENAS EMOCIONANTES - SITUAÇÕES ADMIRAVEIS - INTERPRETAÇÃO MAGISTRAL
Duas genuinas glorias da moderna cinematographia desempenham os principaes personagens desta linda pellicula:
DOROTHY DALTON e RUDOLPH VALENTINO

O espectaculo terminará com a execução, a grande orchestra, do grandioso poema symphonico CENTENARIO do maestro Savino De Benedictis.

Só uma vez, até hoje, se fez ouvir esta admiravel composição: foi durante as festas officiaes commemorativas do centenario da INDEPENDENCIA NACIONAL.

PREÇOS HABITUAES:
Frisas e camarotes, 12$000 - Poltronas numeradas, 2$200 - Galerias, $800

AVISO AO PUBLICO

AS POLTRONAS SÃO NUMERADAS PARA AS SESSÕES DE HOJE E OS RESPECTIVOS BILHETES SERVEM SOMENTE NA SESSÃO PARA QUE FOREM EMITTIDOS.

PARA SUA MAIOR COMMODIDADE, O DISTINCTO PUBLICO DEVE PREVENIR-SE NA BILHETERIA DURANTE O DIA, COM A POSSIVEL ANTECEDENCIA, PARA EVITAR ATROPELOS A' ULTIMA HORA.

AMANHAN: - Vesperal elegante da COMPANHIA ABIGAIL MAIA, com a encantadora comedia de Oduvaldo Vianna - MANHANS DE SOL - A' NOITE: PARIETTE, continuação do lindo cine-romance da Gaumont. Bilhetes numerados á venda desde hoje.

Leia mais sobre o cine-theatro Republica.

Agradeço a colaboração de Luiz Carlos P. da Silva e Nair Brustolin P. da Silva.

Anúncio do jornal "O Estado de S. Paulo", de 29 de Dezembro de 1922.

Clique na imagem, para ampliá-la.

Anúncios de antigos jornais

Anúncios da primeira exibição no Brasil do Cinemascope, realizada em 09/02/1954, no cine República.



Anúncio do jornal "Folha da Noite", de 08/02/1954.

Link interessante: Widescreen Museum
Agradeço a colaboração de Nair Brustolin P. da Silva e Luiz Carlos Pereira da Silva.

Anúncios de antigos jornais

1937
1940
1961
1961
1962
1962
1971
Agradeço a colaboração de Nair Brustolin P. da Silva e Luiz Carlos Pereira da Silva.

Georges Jean Renouleau, o pioneiro da exibição cinematográfica em São Paulo

Por José Inácio de Melo Souza

Georges Jean Renouleau, fotógrafo de origem francesa (Bergerac, 7/12/1845), antes de se fixar em São Paulo montou ateliês em Pelotas (1875), Porto Alegre (1878) e Rio de Janeiro (1883-84). Começou a trabalhar na capital paulista a partir de 1885-89, com ateliê fotográfico na Rua Direita, 9. Passou depois para a Rua Marechal Deodoro, 2 (em 1895, atual 15 de Novembro), cujas instalações se incendiaram acidentalmente; Rua General Câmara, 108 (1897), Rua Bento Freitas, 7-A (1897), Rua Direita, 24 (1898-99) e Rua Bento Freitas, 23 (1902).

Como fotógrafo, Renouleau deveria ter contato com os produtos fotográficos da fábrica Lumière, de Lyon, a Société Anonyme des Plaques Lumière. A conjunção decorrente da situação funesta do incêndio do seu ateliê, pelo qual não recebeu os dois seguros a que teria direito, e o aparecimento de uma nova mercadoria, o Cinematógrafo, provavelmente fez com que fosse à França para se iniciar no novo ramo. Consta que teve como sócio na exploração do invento André Bourdelot, que tinha aberto uma loja de brinquedos na Rua Boa Vista, 48-A, em 3/2/1896. Ambos viajaram para a Europa para tratarem da exploração do invento.

O Cinematógrafo tinha sido patenteado em 13/2/1895 por Auguste e Louis Lumière, tendo uma primeira apresentação pública em 22 de março na sala da Société d’Encouragement pour l’Industrie Nationale, quando se apresentou o filme La sortie des usines Lumière (a primeira sessão paga foi no salão inferior de bilhar, o Salon Indien, do Grand Café, Boulevard des Capucines, 14, em 28/12/1895). Porém, entre março de 1895 e maio de 1897, os Lumière não vendiam seus projetores e filmes, preferindo explorá-los por meio de agentes próprios. Renouleau provavelmente foi obrigado a se contentar com uma contrafação do Cinematógrafo Lumière, sendo que nunca usou diretamente a marca de Lyon (segundo Alice Gonzaga, Bourdelot, quando desembarcou no Rio de Janeiro a 5/6/1896, vindo de Bordeaux, intitulou-se “representante do Dr. Merey”, isto é, Étienne-Jules Marey, o inventor da Cronofotografia, posta a venda em 1891). Nas suas apresentações em São Paulo ele se referiu ao “aparelho-fotografia animada”; nas de Porto Alegre, ao “scinematógrapho” e “Animatógrafo modelo francês”. Do conjunto de cerca dez filmes que compunham o seu repertório, somente dois foram identificados como claramente de produção Lumière.

Em 7/8/1896, uma sexta-feira, os dois empresários convidaram o presidente do Estado, Campos Sales, e outras autoridades importantes no panorama da cidade para a estreia da nova invenção: a fotografia animada. A recepção pelos jornais, publicada no dia seguinte, foi divergente. O Estado de S. Paulo noticiou entusiasticamente, na primeira página, o programa exibido (“admirável, assombroso”), embora se enganasse quanto à primazia da projeção pioneira na América Latina (um aparelho chamado Omniógrafo tinha funcionado no Rio de Janeiro em 8 de julho daquele ano). Já o Diário Popular foi reticente: “Fundado nos mesmos princípios que o kinetoscópio, o processo Renouleau deixa ainda alguma coisa a desejar; o movimento não é perfeito, de modo que as figuras desenham-se com um tremor constante que lhes prejudica a nitidez. Esperemos que este inconveniente desapareça com ulteriores experiências. Contudo, é digna de louvores a iniciativa do Sr. Renouleau”.

Em sociedade com André Bourdelot, que tinha chegado a São Paulo em 1890, e classificado por Alice Gonzaga como “financiador da primeira sessão cinematográfica paulista”, ele montou seu projetor na Rua Boa Vista, 48-A, no mesmo endereço da loja de brinquedos do seu sócio e compatriota, pagando ao Tesouro Municipal a quantia de Rs 43$000 (quarenta e três mil réis) sendo trinta mil réis pela licença e treze mil réis pelo alvará para a “exposição do aparelho-fotografia animada” por 30 dias (1/8/1896). Na Rua Boa Vista, nº 48, funcionava o Frontão Paulista. O número 48-A era o de uma loja térrea, como se pode ver pela planta. Pelas dimensões, e ainda como negócio de Bourdelot, o prédio não tem as características de “casarão vazio” adaptado, como escreveu Máximo Barro. Ele organizou apresentações públicas pagas e diárias entre 8 de agosto e, provavelmente, 7 de setembro com três sessões de quatro filmes à tarde (13, 14 e 15 horas) e quatro à noite (18, 19, 20 e 21 horas) ao preço de Rs 1$000 (mil réis) a cadeira. Ao final da licença, no início de setembro, ele eliminou as sessões diurnas.

Encerradas as exibições em São Paulo, partiu para Porto Alegre, onde estreou a 8/11/1896. A sua carreira de exibidor ambulante terminou aí, pois no ano seguinte voltou à profissão de fotógrafo. Em 14/2/1898, Bourdelot transferiu a casa de brinquedos para Eduardo Gay. Sabe-se que em 1911 ele era fabricante de joias na Rua Boa Vista, 39-A, com filial na Rua do Rosário, 14. Os negócios devem ter ido bem porque naquele ano pediu o aumento de um prédio na Rua Tomé de Souza e a construção de duas casas na Rua Duarte de Azevedo, no bairro de Santana.

Renouleau foi casado em segundas núpcias com Rosa Maria Martin.

Texto disponibilizado na internet.

Cinema de rua é preservado em São Carlos (SP)

Ao contrário da capital, que fechou um dos únicos cinemas de rua, o cine Belas Artes, São Carlos mantém seu cinema de rua em plena atividade através da cinematográfica Casella & Casella, que exibe filmes do circuito nacional de cinema e, também, serve de cenário para a realização de eventos voltados para a cultura são-carlense.



A existência de um cinema de rua em São Carlos fortalece o compromisso da Prefeitura com investimentos em cultura. “Além do fortalecimento do audiovisual da cidade, o cinema de rua fortalece o imaginário e resgata a nostalgia da população de São Carlos. As gerações mais antigas têm boas lembranças de quando iam ao cinema, e este ritual de ir ao cinema está sendo transmitido às gerações mais novas”, diz Telma Olivieri, coordenadora de Artes e Cultura de São Carlos. Graças à parceria com a Prefeitura, é possível realizar as sessões com preços mais acessíveis ao público.



Pedro Casella, dono da cinematográfica Casella & Casella, lembra a importância das prefeituras e do poder público na manutenção e conservação de patrimônios culturais como o cinema de rua. “Se a Prefeitura de São Carlos não tivesse comprado o prédio, o cinema seria apenas um quadro na parede”, lembra.



Telma Olivieri também ressalta a importância de iniciativas tomadas pela Prefeitura para a preservação da cultura e que, esta característica, coloca São Carlos à frente de outras grandes cidades. “São Carlos está na contramão das grandes cidades brasileiras, não só por adquirir o prédio do cinema, mas também por existir um comprometimento da administração do cinema com o poder público. São Carlos talvez seja uma das únicas cidades a valorizar o cinema de rua, destaca. Ela também lembra que, o cinema de rua é mais democrático. “É a valorização do cinema democrático que, por estar localizado no centro, qualquer pessoa pode ter acesso, pois a região é a mais acessível da cidade e, pela freqüência das pessoas, acaba sendo revitalizada”.



A programação do cine São Carlos está disponível no site ou pelo telefone (16) 3307-6006.
Prêmio
O cine São Carlos foi contemplado com o Prêmio Adicional de Renda, promovido pela Ancine (Agencia Nacional de Cinema), que contempla os ganhadores que exibem grande quantidade de filmes nacionais, com um prêmio em dinheiro que deverá ser aplicado na revitalização da sala. Um dos critérios para a escolha dos ganhadores é o cinema possuir no máximo duas salas.



História
A história de São Carlos com o cinema vem de muito tempo. A primeira exibição de filmes aconteceu em 1897, com o cinematográfico Lumière e, em 1969, a cidade realizou o Festival de Cinema Brasileiro de São Carlos. Atualmente, o cine São Carlos comemora dois anos de reinauguração no mês de novembro. O cinema possui capacidade para 540 pessoas e o equipamento de som é o Dolby Digital, que garante um alto nível de qualidade para os frequentadores.

Texto publicado, em 18/01/2011, no site São Carlos Agora.

Espetáculo na plateia

Por Pedro Cavalcanti e Luciano Delion
Para as gerações criadas com televisão na sala é difícil imaginar o que já foi a aventura de uma ida ao cinema no centro da cidade. Sobretudo a partir dos anos vinte, quando do tão sonhado “casamento entre o projetor e a vitrola” surgiu o cinema falado.

Ainda que assistir o filme fosse a parte fundamental, absolutamente não esgotava o programa. Este incluía encontros com amigos, conversas na fila, exibição de elegância e namoros à distância, os únicos permitidos. Foi assim desde os tempos do velho cine Central em frente ao Correios, onde os filmes eram mudos, mas os espelhos da sala de espera permitiam trocas de olhares, os mais significativos, como recorda Yolanda Penteado (1903-1983 - uma das pessoas mais ricas e influentes dos anos 40, 50 e 60), assídua freqüentadora nos seus tempos de mocinha.

Nesse tempo, as salas de exibição eram teatros adaptados, ainda com balcões, camarotes e frisas dispostos em forma de ferradura, como no Santa Helena, na Praça da Sé, ou no Dom Pedro II, no Anhangabaú. Vieram depois os verdadeiros palácios, com milhares de lugares, onde o espectador sentia-se parte do espetáculo. Essa mudança se iniciou em 1929, com o Paramount na Av. Brigadeiro Luiz Antonio e o cine Rosário, no prédio Martinelli, com paredes revestidas de mármore de Carrara. Coisa nunca vista, oferecia poltronas estofadas.
O UFA-Palácio já em 1936 e o Metro em 1938, ambos na Av. São João, inauguraram o espaço da chamada Cinelândia que, além da própria São João, incluía o Largo do Paissandú, o Santa Ifigênia e a Av. Ipiranga. O UFA, projetado pelo arquiteto Rino Levi foi um caso à parte com suas linhas sóbrias. Já o Metro e a maioria dos que surgiram no seu rastro acompanhavam a arquitetura e a decoração dos cenários de Hollywood, alternando alegremente construções em estilo mourisco com o neoclássico afrancesado e incluindo cópias de estátuas, fontes murmurantes e arco-íris luminosos que se refletiam em espelhos.

Sugeridos pelas produtoras americanas, os nomes lembram exotismos suntuosos e monumentais. São os mesmos que começavam a brilhar em todas as grandes avenidas do mundo: Rex, Roxy, Capitólio, Imperial, Alhambra, Plaza, Odeon, Art-Palácio, Opera, Babylonia, Ritz. Exceção nacionalista apenas no nome, o Ipiranga surgiu para arrasar a concorrência com seu slogan “Um Monumento ao Cinema”. E realmente não parecia outra coisa. Inimá Simões, autor do livro “Salas de Cinema em São Paulo”, descreve: “O filme que bate na tela e a sala de projeção estão em plena harmonia, formam quase que uma coisa única, uma união consensual. (...) O Espetáculo começava já na calçada, muito antes da platéia ser escurecida, e é bastante provável que os freqüentadores vissem apenas uma parte do que acontecia no filme, livrando um olho para acompanhar a atmosfera de encantamento. (...) Quando alguém diz que viu ‘Seis Destinos’ não vem à cabeça o nome do diretor Julien Duvivier, mas sim uma constatação: Ah, esteve no Ipiranga!”.

Essa fantasia inocente de considerar o prédio do cinema como parte do filme teve seu momento de glória em 1954, durante o Festival Internacional de Cinema que marcou o quarto centenário da cidade. Pessoas que só existiam nos filmes materializaram-se subitamente na sessão de gala do cine Marrocos. Lá estavam, entre outros, Ronda Fleming, Erich Von Stronheim, Fred Mac Murray, Edward G. Robinson, Jeannette MacDonald e Michel Simon. E, sobretudo, lá estava, caminhando sobre o tapete vermelho da escadaria de entrada, como no tombadilho de um navio, o grande Errol Flynn, mais conhecido na vida das telas como Capitão Blood, Robin Hood, ou O Gavião do Mar.
No dia 25 de janeiro de 1954, enquanto uma garoa brilhante feita de triângulos de papel prateado caía sobre a cidade celebrando o quarto centenário de sua fundação, o Centro entrava em longo período de decadência. O comércio, os escritórios de luxo, o dinheiro mudavam-se para os outros bairros da “cidade que mais cresce no mundo”.
Apenas agora, depois de mais de meio século de esquecimento, o Centro começa a acordar de novo. Em rara conjugação dos poderes públicos com a iniciativa privada impulsionada pela Associação Viva o Centro, prédios são restaurados (como, por exemplo, os cines Olido e Marabá), repartições públicas voltam a antigos endereços e o comércio procura soluções de renovação.
Há tantos fatores em jogo que, para muitos, a tarefa parece impossível. Talvez não seja. Muito já foi realizado e muito se planeja. O essencial está em preservar a força daquela ligação emocional com a cidade, presente no coração de todos os que conheceram São Paulo no tempo de sua juventude. Ouvia-se, então, a propósito de tudo, uma exclamação que, segundo a entonação, podia exprimir alegria, ou tristeza, desalento, ou entusiasmo, e cujo significado profundo só os paulistanos mais antigos conhecem: “Eh! São Paulo!”
Ilustrei esta postagem com fotos do cine Ipiranga, da época de sua inauguração. É o cinema do Centro que eu mais gostaria que voltasse a funcionar. Ele poderia ser todo restaurado. Sua arquitetura foi assinada por Rino Levi e é de grande valor histórico. Veja texto sobre Rino Levi neste blog. - Antonio Ricardo Soriano
Texto do livro “São Paulo - A Juventude do Centro”, de Pedro Cavalcanti e Luciano Delion - Grifo Projetos Históricos e Editoriais - 2004

Quantos cinemas possui esta Paulicéia querida?


Quantos cinemas possui esta Paulicéia querida? 
Creio que o número oscila entre 3 a 4 dezenas. Um cinema para cada 20 mil pessoas…

Vão ser inaugurados novos: um todo liró, gracioso à Rua Domingos de Morais, quase vis-à-vis ao Phénix; outro à Av. Tiradentes, que será fatalmente um quartel de uma nova espécie naquela via guerreira, outro ainda à Barra Funda, o Roma, nome para atrair uma multidão de patrióticos súditos de sua majestade Victor Emmanuel que moram nas vizinhanças; e o mais luxuoso e confortável, à Rua São Bento. Este irá competir com o Triângulo. Ambos lutarão pela preferência do exército de “picturers” que, após o ‘footing’, a pé ou em auto pelas ruas da cidade, dão a vida por uma fitinha.

Qual o mais simpático: o República ou o Santana? Quanto ao primeiro, dizem (os proprietários) ser o preferido da “elite” paulistana. Do segundo os proprietários dizem a mesma coisa …

O Avenida é o mais ruidoso dos cinemas paulistanos: logo à entrada um ‘jazz band’ bombardeia o sistema nervoso do público. Na sala de exibição que é úmida, mas bem mobiliada, acotovelam-se crianças, velhos, moços e senhores. Mas como são engraçadas as senhoras, os moços e os velhos do Avenida

O Central é a antítese do seu colega da Av. São João. Como o Paraíso, é um cinema honesto e pacato. Freqüentam-no as meninas bem educadas dos Campos Elíseos e os velhos que sabem ser velhos. 

O São Pedro, encravado na fronteira de dois bairros antagônicos – um é inimigo da gravata, outro usa sabonete Windsor – tem, por força da sua posição dois públicos. Representam-nos o ‘Paschoal o bicheiro’ (que resmunga contra a tirania do colarinho e a exorbitância do preço da cadeira) e a Sra. Dona Maria Saudosa de Antanho, que usa “mitenes” negras e é avó de três meninas-moças de cabelos compridos. 

Outros cines existem com suas fisionomias próprias. Cada um reflete o seu bairro, “a alma encantadora da rua” de que faz parte. Bonitos uns, feios outros, são todos, porém respeitáveis. Principalmente, os últimos, dentro dos quais o nosso povo esquece, seguindo as aventuras de um filme em séries, toda a série de desventuras que não são de celulóide. 

Crônica de Jorge Martins Rodrigues, publicada no Diário da Noite, em 1927.

Profissionais da exibição: Benedito Carlos Silva, projecionista

Uma vida atrás do projetor

Conheça a história de Benedito Carlos Silva, o projecionista que trabalhou por 25 anos no cine Gemini

Por Mariana Zylberkan (para o jornal “Diário de S. Paulo”, de 29/09/2010)

O projecionista Benedito Carlos Silva, de 51 anos, é preciso ao contar o tempo que dedicou a exibir filmes no cine Gemini até o encerramento de suas atividades, no último domingo: "Foram 25 anos, 14 dias e algumas horas", diz.

A resposta reflete não apenas o pesar de ter encerrado a história de um dos cinemas mais emblemáticos da cidade, mas também o prazer de exercer a profissão que escolheu aos 12 anos de idade, quando morava em Francisco Alves, no Paraná. Foi no pequeno cinema da cidade, administrado pelo padre da igreja, que Benedito deu os primeiros passos no ofício de projetar filmes. "Ia sempre ao cinema e fazia a maior bagunça com as outras crianças. Por isso, fui proibido de assistir aos filmes na plateia. Só podia ver na cabine de exibição".

A partir daí, o que era para ser um castigo se transformou na maior paixão de sua vida. Benedito passou a ir todos os fins de semana ao cinema para aprender a rebobinar rolos de filme e montar o projetor.

A função de ajudante foi logo ultrapassada depois que o único projecionista da cidade teve um enfarte e ficou impedido de continuar trabalhando. "O cinema é a minha paixão. Deixei de estudar e aceitar boas propostas de emprego para me dedicar a isso", diz ele sobre a profissão que exerce há 30 anos.

Em São Paulo, Benedito trabalhou na cabine de cinemas que fizeram parte da história cultural de São Paulo, como Comodoro, Marabá, Ritz, Olido, Iguatemi, entre outros.

Além de funcionário, Benedito é também um frequentador assíduo das salas de cinema da cidade. Até quando está em casa ele não deixa de lado a sétima arte e conta estar sempre na frente da TV assistindo um dos 200 DVDs de sua coleção. "Gosto de filmes de bangue-bangue", diz o projecionista.

Foto: Daniel Pera/Diário SP

Quando a porta do cinema dava para rua

Por Osmar Mendes Junior.

No ensolarado domingo, mais exatamente nas primeiras horas do dia, após uma noite de sono tranqüila e uma substanciosa refeição matinal, eu tive a ousadia de ligar o computador para consultar os meus perfis nas duas mais concorridas redes sociais da Internet: o "Twitter" e o "Facebook". Eu deveria ter aproveitado aquela bela e clara manhã de verão para realizar algo mais interessante, como uma saudável caminhada pelas ruas do meu bairro, mas não resisti aos apelos dessa maquininha infernal que se instalou definitivamente na minha existência. Então, uma animada conversa que se desenvolvia entre os meus amigos do Facebook chamou a minha atenção pelo assunto palpitante que tratava: o triste sumiço dos cinemas de rua na cidade de São Paulo. Lamentava-se o fato daquelas simpáticas salas, que um dia enfeitavam e coloriam ruas, alamedas, praças e avenidas, terem sido transformadas em frios estabelecimentos comerciais, em feios e improvisados estacionamentos ou em tenebrosos e suspeitos templos religiosos, que assustam as suas obedientes plateias com ameaças de punições para pecados inevitáveis.



Os “Windsors”, os “Brasílias”, os “Normandies”, os “Jussaras” e os “Ritz” e tantos outros já não existem mais. É triste, mas essa é a dura verdade! Aquelas salas cheias de glamour, onde moravam o sonho e a imaginação e que, antes da chegada da televisão no Brasil, tantas alegrias proporcionaram para os paulistanos nas décadas de quarenta, cinqüenta e sessenta do século passado agora fazem parte de doces e históricas recordações manifestadas em bate-papos nas redes sociais. Eu disse televisão? Pois foi exatamente na televisão que uma saudosa sala paulistana de cinema teve o seu dia de glória. Foi em 17 de abril de 1966, há 45 anos. O cinema se chamava Universo, ficava em uma galeria no número 360 da Avenida Celso Garcia, no Bairro do Brás, e tinha duas características que lhe davam grande destaque no mundo da cinelândia brasileira: uma imensa plateia com 4.324 lugares que lhe conferia o status de ser a maior do Brasil e um incrível teto móvel que se transformava em gigantesca clarabóia em noites de calor, conforme você pode conferir na foto abaixo.

Foi no “Cine Universo” que o cantor Roberto Carlos, aquele que parava o calhambeque na contra-mão e queria que tudo mais fosse para o inferno, comemorou seus 25 anos de idade com um show espetacular que reuniu as maiores estrelas da “Jovem Guarda”. O agitado, barulhento e concorrido programa musical comandado pelo “Rei da Juventude” era um fenômeno de popularidade e um dos mais vistos da TV Record, que, com apenas 13 anos de existência (a emissora foi inaugurada em 23/09/1953), “roubava” os espectadores dos velhos, charmosos e simpáticos cinemas de rua, que iniciavam a fase de irreversível decadência. Coincidentemente, aquele 17 de abril de 1966 também foi um domingo ensolarado e bonito. E eu vi o show do “Brasa” de casa, com a família, na minha televisão portátil. As imagens eram transmitidas em preto e branco. Nunca mais esqueci.

Capas de cinema - Parte 3

Por Antonio Ricardo Soriano

Álbum 'Subindo ao Céu' (relançado em 1983) do radialista, cantor, acordeonista e compositor José Béttio. No verso da capa, o interior do cine Coliseu, que funcionou na Av. Luís Stamatis, no bairro do Jaçanã.





Capas de cinema - Parte 2

Por Antonio Ricardo Soriano
Os cinemas de rua sempre decoraram diversas capas de discos (LP's ou CD's) por todo o planeta.
Destaco, nesta postagem, mais quatro capas muito bonitas e interessantes. Veja o primeiro "Capas de cinema" destacando dois discos muito especiais. Clique aqui.

A fachada do cine São Luiz, do meu querido bairro de Pirituba, foi a inspiração da criação do logotipo e da capa do disco da Danceteria Paradise, que funcionou no prédio do cinema nos anos 80. Hoje, o prédio ainda mantém a fachada original, mas nele funciona um Buffet.


Encarte
Selo do lado A do disco vinil
Reel Music é uma coletânea com uma seleção de canções da banda The Beatles, que foram destaque em seus filmes. O álbum foi lançado em 22 de março de 1982, nos Estados Unidos (Capitol Records) e no dia seguinte no Reino Unido (Parlophone). A capa mostra a fachada de um fictício cinema de rua chamado Capitol e o encarte mostra a sala de espera. Lindo!



Aliens Ate My Buick, de 1988, é o terceiro álbum lançado por Thomas Dolby, que teve relativo sucesso com seus discos anteriores. Neste, o que vale é a capa, que homenageia os antigos filmes de ficção científica. E o cinema? Só aparece no verso da capa, mostrando um cinema drive-in.

Got Any Gum?, de 1987, é o oitavo álbum de Joe Walsh. Traz a música "In My Car" escrita juntamente com Ringo Starr (baterista da banda The Beatles). A capa é maravilhosa. Um cinema de rua fotografado numa noite chuvosa, onde a iluminação em neon, da linda fachada, se reflete no chão molhado.
O cinema realmente existiu e é histórico, pois Elvis Presley alugava-o para assistir os filmes mais recentes, junto de suas namoradas e amigos, em sessões fechadas ao público (clique aqui e aqui). O cinema, inaugurado em 1930, em Memphis, Estados Unidos, foi transformado em teatro.

Agradeço à Gilberto dos Santos (meu tio) pela colaboração e pelo desafio de encontrar, em seu grande acervo de discos vinil, estas preciosas capas.

CINEMATECA BRASILEIRA - FOLHETOS DE SALAS

CINEMATECA BRASILEIRA - PERIÓDICOS DE CINEMA

ACESSE O BANCO DE DADOS


BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.