Por dentro do antigo (e futuro) Cine Copan

Por Theo Gama - Historiador formado pela USP, cursando, atualmente, especialização em Museologia na FESPSP. Foi por dois anos curador do CINUSP Paulo Emílio e hoje produz conteúdo a respeito das salas de cinema históricas da cidade por meio do projeto “Cinema em São Paulo”.

Na sexta-feira do dia 28 de fevereiro de 2026, um evento gratuito apresentou ao público o projeto de reforma do antigo Cine Copan, que agora se chamará Nu Cine Copan, e tem previsão de reabertura para 2027. O evento foi realizado no próprio espaço do cinema, já parcialmente reativado para a realização da peça “Hamlet: Sonhos que Virão”, dirigida por Rafael Gomes e estrelada por Gabriel Leone.

Marcada para as 9h30 da manhã daquela sexta, a “Aula Aberta” foi apresentada, em sua maior parte, pelas arquitetas Ana Ferrari e Carmen Cardoso, além de outros representantes da empresa Viva do Brasil, dona do espaço e encabeçadora do projeto de revitalização em curso.



Se discutiu o processo de pesquisa empreendido para recuperar o máximo de informações possíveis do projeto original de Niemeyer, assim como os desafios de adaptar o espaço para atender requisitos atuais de segurança e acessibilidade. Além disso, falou-se do projeto da sala em si, que contará com uma tela de LED de 17 metros de largura e sistema de som Dolby Atmos.

No que se refere à programação, as informações ainda são difusas, mas se frisou o interesse de atingir diferentes públicos e atrair novas pessoas para a região do Centro da cidade. Outro fator interessante previsto no projeto é a integração proposta entre o cinema e o Pivô, espaço cultural também localizado no Edifício Copan.

Mas, para além da apresentação em si, como interessado pela questão dos cinemas antigos de São Paulo, a realização desse evento me encantou pela simples possibilidade de poder entrar em uma sala fechada há tantos anos.

O Cine Copan funcionou entre as décadas de 70 e 80. Na década de 90, foi transformado em igreja, funcionando como tal até 2008. Nesse período, o interior do cinema foi consideravelmente descaracterizado, e a sala esteve abandonada desde então.

O espaço está do jeito que foi encontrado pela Viva do Brasil: sem revestimentos, com tijolos e concreto aparentes. Ao entrarmos no hall, a primeira coisa que vemos é o corrimão da escada que dá acesso à sala, um dos poucos elementos originais sobreviventes.


Já na sala em si, podemos ver a estrutura da plateia do cinema, larga e com baixa elevação, como era típico no projeto de auditórios modernistas. O espaço é enorme e impressionante, sendo impossível não imaginar o quão lindo ele devia ser durante o auge de seu funcionamento. Chama atenção também a estrutura do teto que, segundo o que foi dito durante a apresentação, está passando por obras de impermeabilização.




Daqui até a reinauguração do cinema, a sala irá mudar bastante. A plateia ficará mais estreita e consideravelmente mais inclinada, fatores que ajudam a explicar a diminuição do número de assentos. Dessa forma, foi um privilégio ver a sala antes que as mudanças aconteçam, podendo ter uma ideia de como ela era em seu estado original, depois de tantos anos fechada.


Por último, uma notícia (dada durante a apresentação) me deixou particularmente animado e curioso: a de que a mesma empresa responsável por este projeto visitou, também, outras salas antigas na região da República, e está em negociações avançadas com a Prefeitura para assumir o Cine Marrocos, também abandonado há décadas. O fato de uma empresa estar tocando um grande projeto de revitalização como esse, tendo como patrocinador um banco, parece indicar uma mudança de chave. A torcida é para que projetos desse tipo incentivem outras empresas a investir em espaços como esses, assegurando que eles não sejam descaracterizados ou destruídos, mas sim devolvidos ao papel cultural que foram feitos para desempenhar. Os cinemas históricos de São Paulo constituem um enorme e importantíssimo patrimônio, que não merece ficar esquecido, mas sim voltar à vida.

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BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.