Uma homenagem ao cine Comodoro

por Luigi Di Giuseppe

De todas as lembranças desta grande cidade chamada São Paulo, uma em especial merece uma homenagem - o Comodoro Cinerama, localizado na Avenida São João, 1462, com o telefone 220.1636, o Comodoro ou como era carinhosamente chamado Cinerama, deixou muitas saudades e recordações.
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Meu primeiro registro foi uma notícia que vi um dia à noite no Jornal Nacional, informando que a exibição do filme Terremoto, na cidade de São Paulo, estava provocando estragos no edifício e em lojas próximas ao um cinema onde o filme estava sendo exibido. Aquilo por si me chamou muito a atenção e eu, nos meus 13 anos de idade, cheio de curiosidade comecei a investigar do que se tratava e prontamente coloquei toda a família para descobrir que cinema era aquele que podia causar tanto impacto. Logo descobri, numa 5ª feira nublada, às 10h30 da manhã, uma experiência inesquecível e jamais esquecerei de todos os seus momentos, desde a chegada, até a frente do cinema, a bilheteria, a entrega dos ingressos, as escadas, a bomboniere e finalmente a sala de exibição, monumental com suas poltronas brancas e uma imensa cortina vermelha que cobria a tela - era a minha primeira experiência com um filme em 70 mm e som estereofônico, além do efeito *Sensurround que o filme Terremoto apresentava. Assiste o filme surpreso com a tela composta de milhares de fios brancos que se curvava em frente à platéia e o som impecável, com riqueza de detalhamento entre graves e agudos. A verdade era que o filme não era tão bom, mesmo para a época do cinema catástrofe, mas o cinema sem dúvida era o máximo. Depois passei a freqüentá-lo constantemente, os filmes muitas vezes exclusivos demoravam a sair de exibição, o próprio filme Terremoto foi exclusivo e ficou em cartaz por quase 10 meses.
______________ Pôster americano do filme "Terremoto" (1974)

Vale registrar as exibições, antes da reforma e após a mesma, e também o empenho dos esquecidos operadores de projetores, porque no Comodoro Cinerama, os operadores faziam um espetáculo a parte, dando alguns sustos na platéia. O leão da “Metro” rugindo e a vinheta da “Cinema Internacional Corporation” tinham um "tempero especial".

Os filmes que o Comodoro eternizou: E o Vento Levou, 2001 – Uma Odisséia no Espaço (insuperável), Fuga no Século 23 (experiência sonora que levou o prêmio Oscar), Estação Polar Zebra, Grease – Nos Tempos da Brilhantina, Aeroporto 77, A Ilha do Adeus, Tron, Os Caçadores da Arca Perdida, A Filha de Ryan, Pânico na Multidão, Terror na Montanha Russa (outra experiência em Sensurround), O Enigma da Pirâmide, De Volta Para o Futuro, Drácula (com Frank Langella), A Música Não Pode Parar, Sargent Pepper (com Bee Gees, filme que reinaugurou o Cinerama e que foi divulgado no programa do Chacrinha), Top Gun, Rocky 4, Isto É Hollywood, E. T. – O Extra-Terrestre, Fama, Evita (o último filme a ser exibido, já sem o glamour de 70 mm), Poltergeist, Xanadu, Duna, Pink Floyd – The Wall, Cinzas no Paraíso (fotografia belíssima), Os Canhões de Navarone, Ben Hur, Os Dez Mandamentos, entre outros.
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Fica aqui uma homenagem ao Comodoro Cinerama, a todos aqueles que tiveram oportunidade de conhecê-lo e aos que lá trabalharam. Bons tempos que não voltam mais.
Texto publicado no site São Paulo Minha Cidade.
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*Sensurround - Terremoto foi o primeiro filme a ser apresentado em "Sensurround", um esquema especial de alto-falantes de baixa freqüência que era emprestado pelos distribuidor do filme. O sistema, que pode ser considerado o "avô do subwoofer", era tão poderoso, que em alguns cinemas chegava a trincar o reboco. O sistema só era usado nas cenas em que o terremoto estava acontecendo. O sistema "Sensurround" foi empregado, apenas, em outros três filmes lançados pela Universal: Midway (1976), Rollercoaster (1977), e no lançamento de Battlestar Galactica (1979).

Primeiras projeções da história do cinema

Por Guido Bilharinho - Poeta, ensaísta, advogado e editor - Foi editor da revista internacional de poesia “Dimensão” " e da revista “Convergência” da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Autor de diversos livros sobre cinema, como “O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock”, “Os Clássicos do Cinema Mudo”, “Cem Anos de Cinema”, entre outros. É membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, da qual foi presidente.
“Para quem gosta de cinema (e salas de cinema), é interessante ficar sabendo como a Sétima Arte foi criada. O texto de Guido Bilharinho é excelente e resumido, se tornando uma agradável e curiosa leitura.” – Antonio Ricardo Soriano
Evolução dos experimentos mecânicos
A invenção do cinema (6.000 a.C. – 1895)
Das Sombras Chinesas ao Cinematógrafo Lumière
O ato de captar, reter e transmitir a imagem em movimento não constitui obra de um momento. Como qualquer invenção, representa não o início, mas, o ápice e o término de longo processo. Muitos séculos de buscas e experimentos, em vários países, confluem para o nascimento do cinema, em 1895.
As sombras chinesas
__________ Os primeiros espetáculos visuais foram as sombras chinesas obtidas originalmente com as mãos e pequenos acessórios
Desde as manifestações das sombras chinesas ao cinematógrafo dos irmãos Lumière percorrem-se não séculos, mas, milênios. Mas, lá, nessa temporalmente longínqua prática, encontra-se a primeira e exitosa tentativa de apreender, transmitir e dar significado ao movimento em seu fluxo natural. Desde 6.000 (seis mil) anos a.C., os chineses e depois os javaneses e indianos utilizam-se - em diversões, ritos e na arte bélica - de espetáculos, consistentes em sombras de pessoas, animais e coisas movimentando-se sobre iluminada parede branca. Atualmente, mesmo que possam a considerar rudimentar, a técnica empregada nas sombras chinesas permaneceu insuperável até o século XIX.
Período Helenístico (séc. III a.C. a séc. II d.C.)
No longo caminho para a criação do cinema, novo passo relevante consiste nos experimentos ópticos levados a efeito pelos cientistas gregos Euclides (séc. III a.C.), Arquimedes (287-212 a.C.) e Ptolomeu (90-168 d.C.).
O princípio da câmara escura de Da Vinci (séc. XV)
Leonardo Da Vinci (1452-1519) é considerado o primeiro ser humano a ter noção completa do fenômeno cinematográfico. Seu princípio da câmara escura, enunciado no “Codex Atlanticus”, representa considerável contribuição para a futura criação do cinema, já contendo referências ao relevo e à cor.
A câmara escura de Della Porta (séc. XVI)
__________ Gravura antiga que reproduz uma câmara escura: através de lentes e espelhos, as imagens externas são projetadas dentro da sala
O físico italiano Giambattista Della Porta (1535-1615), contemporâneo de Shakespeare (1564-1616), com base no enunciado de Da Vinci, constrói a câmara escura, que torna possível a fotografia e o cinema.
A lanterna mágica de Kirscher (séc. XVII)
__________________ Lanterna mágica marca "Lapierre"
Atribui-se ao jesuíta alemão Athanasius Kirscher (1601-1680), a construção da lanterna, que deriva e é uma inversão da câmara escura. Enquanto nesta, as imagens são projetadas de dentro para fora, naquela o são de fora para dentro. Torna-se a lanterna uma diversão popular.
O fantascópio de Robertson (séc. XVIII)
_____________________________ Robertson com seu fantascópio aperfeiçoou a lanterna mágica, inclusive dando-lhe movimentos e fazendo fusões de imagens
O físico belga Robertson, valendo-se da câmara escura de Della Porta e da lanterna mágica de Kirscher, inventa o fantascópio, criando os "espetáculos de fantasmagorias".
Multiplicação das invenções (séc. XIX)
O que se desenvolve lentamente no passar dos séculos, às vezes com enormes hiatos, acelera-se consideravelmente no século XIX. Inúmeros inventos e aperfeiçoamentos são, então, criados e efetuados, confluindo, finalmente, no cinema. Entre outros, citam-se:
1- Fenacistocópio ou Fenaquisticópio (entre 1828 e 1832), do belga Joseph Plateau (1801-1883), um dos primeiros cientistas a estudar a persistência retínica da imagem, donde deduz que para uma série de imagens fixas dar a impressão de movimento é necessário que se sucedam no ritmo de dez imagens por segundo.
Fenaquisticópio
2- Estroboscópio (entre 1828 e 1832), do austríaco Simon Von Stampfer (1792-1864), semelhante ao aparelho de Plateau.
3- Zootrópio (1834), do britânico William George Horner (1786-1837), construído a partir do fenacistoscópio, mas, já apresentando certos avanços.
Zootrópio
4- Fotografias do Movimento, do britânico Eadweard Muybridge (1830-1904), que tirou fotografias instantâneas de um cavalo correndo. Ele dispôs 24 câmeras alinhadas, uma ao lado da outra, em uma pequena extensão de uma pista de corrida. Através de cordões esticados - ligados ao obturador de cada câmera - o cavalo sucessivamente rompia cada cordão, disparando os obturadores.
__________ As primeiras fotografias do movimento feitas com sucesso
5- Revólver Astronômico (1864), do francês P. J. Janssen, construído sob o influxo do "revólver" inventado, em 1830/35, pelo norte-americano Samuel Colt (1814-1862), fotografando praticamente sem solução de continuidade um eclipse do sol.
6- Fuzil Fotográfico, do médico francês Étienne Jules Marey (1830-1904), baseado no princípio do revólver de Janssen, registrando 12 imagens por segundo.
7- Fuzil Fotográfico aperfeiçoado, na Grã-Bretanha, pelo francês L. A. Auguste Leprince (1842-1890), com utilização, pela primeira vez, de películas perfuradas.
8- Praxinoscópio (1877), do francês Émile Reynaud (1844-1918), que se serve das películas de celulóide perfuradas lateralmente e engrenadas nos dentes do aparelho. É considerado, por isso, o inventor do filme cinematográfico, patenteado em 1888.
__________ Reynaud mostrando no praxinoscópio o seu Teatro Ótico, onde apresentava as "pantoninas luminosas" com bandas pintadas em celulóide
9- Fonoscópio, criado em 1891 pelo francês Georges Demeny, reconstituindo, pela primeira vez, os movimentos de uma pessoa falando.
10- Cinetógrafo (inventado em 1889 e apresentado ao público em 1891) e Cinetoscópio (apresentado ao público em 1894), do norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931). A importância desses aparelhos, aliados ao * fonógrafo, outro invento de Edison, com o qual, conjugado ao cinetoscópio, já pretende sincronizar voz e imagem, levam muitos estudiosos do assunto a considerá-lo o inventor do cinema.
____________________ Thomas A. Edison, após inventar o fonógrafo, inventou o filme projetado para fazer a imagem acompanhar a música. Preocupado com o problema da comercialização do invento, fechou o cinema numa caixa para visão individual, com caça-níqueis, criando assim o seu cinetoscópio. Na imagem, esquema de funcionamento de um cinetoscópio
__________ Salão de exibição de cinetoscópios em San Francisco, 1899
11- Contribuições paralelas. Não só na invenção de aparelho destinado a capturar a imagem em movimento reside à criação do cinema. Inúmeras experiências e descobertas em outras áreas são também fundamentais e indispensáveis. Nesse sentido, é de se lembrar, principalmente: a) pesquisas e estudos efetuados e conhecimentos obtidos em fotoquímica e fisiologia, nesta porque o processo fílmico assemelha-se ao olho humano; b) invenção da fotografia, elemento primário da realização fílmica, procedida, em 1822, pelo francês Nicéphore Niepce (1795-1833), ao fixar numa chapa de metal a primeira imagem fotográfica depois de nove horas de exposição, tempo reduzido posteriormente pelo também francês Louis Jacques Mande Daguerre (1789-1851), para meia-hora e ainda menos tempo com a invenção do daguerreótipo, gravando-se a imagem a vapor de mercúrio. Em 1851, R. L. Maddox descobre a fotografia instantânea com o uso de gelatino-brometo, sem o que também não seria possível o cinema; c) película de celulóide perfurada, inventado pelo norte-americano George Eastman (1854-1932), em 1884.
A invenção do cinema
O momento final dessa evolução e desses experimentos (e inicial de uma nova era), ou seja, o da invenção do cinema, é questão um tanto tormentosa.
Para os norte-americanos, seu inventor é Thomas Edison , porque a 22 de maio de 1891, antes, pois, de qualquer outro, apresenta publicamente o cinetoscópio, inventado em 1888. E, porque, a 14 de abril de 1894, no Kinetoscope Parlor, na Broadway, é realizada a primeira sessão pública paga. Ou, ainda, porque, a 20 de maio de 1895, em Nova York, é efetuada a projeção de um filme de boxe de quatro minutos.
Para os segundos, o invento é alemão, porque, a 1º de novembro de 1895, ocorre, em Berlim, uma sessão cinematográfica também pública e paga, organizada por Max e Emil Skaladanowski, utilizando o bioskop, aparelho de sua invenção, antecedência esta reconhecida e registrada por Georges Sadoul no “Dictionnaire dês Cinéastes”.
Para os últimos, a glória é francesa, porque, além do cinematógrafo dos Lumière, o também francês e aperfeiçoador do fuzil fotográfico, Louis Aimé Auguste Leprince, em novembro de 1888, filma, em Leeds, na Grã-Bretanha, o jardim da residência de seu sogro.
O cinematógrafo
________________ Auguste e Louis Lumière, os inventores oficiais do cinema
Finalmente, como decorrência, síntese e evolução de todos esses e, segundo se calcula, outros mais de 100 (cem) experimentos, tentativas e conquistas, surge, em 1895, o cinematógrafo, dos irmãos Louis (1864-1948) e Auguste (1862-1954) Lumière, considerados os inventores do cinema. Os Lumière, Louis e Auguste, trabalharam, secretamente, na indústria do pai, em Lyon, em seu projeto, a partir, principalmente, das conquistas efetuadas por Edison, as mais avançadas até então.
No ano mais marcante da história do cinema, 1895, patenteiam seu invento, a 13 de fevereiro. Promovem, a 22 de março, sua primeira sessão cinematográfica, na Societé d’Encouragement à l’Industrie Nationale, dando a luz, nessa ocasião, ao filme “La Sortie dês Usines Lumière”. Realizam, nos meses seguintes, diversas exibições desse e de outros filmes, em associações e congressos científicos. Finalmente, no dia 28 de dezembro, promovem sua primeira e histórica sessão pública paga, no subsolo do Grand Café, sito no Boulevard dês Capucines, 14, Paris, data e lugar oficiais do nascimento do cinema. Entre os presentes, Georges Meliès. Na oportunidade exibem 10 (de) filmes, realizados por Louis Lumière, nenhum deles ultrapassando a duração de 2 (dois) minutos, mas, todos de importância histórica e estética absolutamente não antevista ou imaginada por seu realizador.
A reação, como não poderia deixar de ser, é, mais do que qualquer outra coisa, de excitação, como registra a história, sem no entanto, passar despercebido, no mesmo momento da projeção, o alcance do novo invento pelo jornalista Louis Forest, ao dizer para uma artista a seu lado que zomba do que considera brinquedo de feira: “assistimos a um dos mais extraordinários momentos da humanidade: encontraram o idioma universal”.
Parte do texto do capítulo “Evolução dos experimentos mecânicos – A invenção do Cinema (6.000 a.C. – 1895)” do livro “Cem anos de Cinema”, de Guido Bilharinho - Instituto Triangulino de Cultura - Uberaba - MG - 1996. Publicação autorizada pelo autor.
* Fonógrafo - Thomas Alva Edison inventou, em 1877. o fonógrafo. Aparelho capaz de gravar informações sonoras em um cilindro que girava em torno de seu próprio eixo. Uma espécie de estilete fazia sulcos nesse cilindro, correspondentes às vibrações sonoras, o que permitia reproduzir esses sons posteriormente. Em 6 de dezembro de 1877, fez uma gravação de si mesmo recitando "Maria Tinha um Cordeirinho" que existe até hoje. Seu primeiro fonógrafo, chamado por ele de "máquina falante", era movido por uma manivela, mas o ritmo do som era tão inconstante que, em 1878, ele construiu um outro aparelho com motor elétrico. Em 1886, ele desenvolveu um modelo melhorado de fonógrafo em parceria com Charles Summer Tainter (1854-1940) e Chichester Bell, primo de Alexander Graham Bell, o inventor do telefone e das gravações em cera do fonógrafo de Edison.
Para quem quiser se aprofundar no tema "história do cinema", segue abaixo algumas dicas de livros:
Do Cinetoscópio ao Cinema Digital - Breve História do Cinema Americano – Autor: A. C. Gomes de Mattos – Editora: Rocco
Vocês Ainda Não Ouviram Nada – Autor: Celso Sabadin – Editora: Lemos Editorial
A Grande Arte da Luz e da Sombra: Arqueologia do Cinema - Autor: Laurent Mannoni -Tradução de Assef Kfouri - Editora: Senac São Paulo
Cem Anos de Cinema - Autor: Guido Bilharinho - Editora: Instituto Triangulino de Cultura

Rino Levi, ex-aluno do Colégio Dante Alighieri

Por Antonio Ricardo Soriano

O título poderia ser Rino Levi, o arquiteto dos grandes cinemas de São Paulo, mas descobri em minhas recentes pesquisas, que um dos mais importantes arquitetos brasileiros estudou no Colégio Dante Alighierionde trabalhei por mais de 20 anos!

Rino Levi projetou os cines Ufa-Palacio, Ipiranga, Piratininga e Universo.




A informação que Rino Levi fez o segundo grau (atual Ensino Médio) no Colégio Dante Alighieri estava em uma nota de rodapé do artigo ‘1925 - Warchavchik e Levi - Dois manifestos pela arquitetura moderna no Brasil’, de Renato Luis Sobral Anelli, publicado na Revista de Urbanismo e Arquitetura - RUA, nº 7, de 1999. Publicação criada em 1988 pela Universidade Federal da Bahia.

Informações da nota de rodapé :

A data de inscrição no Politecnico di Milano (Milão, Itália) é 23 de dezembro de 1921. Na folha de matrícula está indicada a data do diploma de segundo grau, obtido no Instituto Médio Dante Alighieri, em São Paulo, como 3 de novembro de 1921 - conforme página 5 de livro número 27, Registro degli Studenti Iscriti ala Scuola Preparatoria e di Aplicazione per gli Architetti Civili, Istituto Tecnico Superiore di Milano (Politecnico). 

No curriculum vitae organizado pelo próprio Rino Levi consta ainda a data do seu certificado de reservista militar (do Brasil) como 20 de outubro de 1921.

O brasileiro Rino di Menotti Levi (1901-1965) formou-se engenheiro arquiteto na Facoltà di Architettura dell’Università - La Sapienza - di Roma (Itália), de 1921 a 1926.





Outra recente descoberta em minhas pesquisas também foi muito estimuladora. O cine Ipiranga (inaugurado em 07/04/1943), projeto de cinema mais bonito e ousado de Rino Levi (1901-1965), foi construído pela empresa Herança Conde Rodolpho Crespi.

Rodolfo Henrique Crespi (1874-1939), nome abrasileirado como ficou conhecido, foi um dos fundadores e o primeiro presidente do então Istituto Medio Italo-Brasiliano Dante Alighieri, atual Colégio Dante Alighieri, de 1911 a 1935.




Textos sobre Rino Levi :

RINO LEVI

1925 -WARCHAVCHIK E LEVI - DOIS MANIFESTOS PELA ARQUITETURA MODERNA NO BRASIL

O LEGADO DE RINO LEVI NAS MÃOS DOS PAULISTANOS

OCUPAÇÃO RINO LEVI - ITÁU CULTURAL









Exemplos de preservação dos cinemas de Rua pelo Brasil: Cineteatro São Luiz - Fortaleza (CE)


Erguido no local onde funcionara o Cine Polytheama, o São Luiz teve suas obras iniciadas em 1938, quando da demolição do cinema anterior, conforme descreve no livro “A Tela Prateada”, o pesquisador e especialista na história do cinema no Ceará, Ary Bezerra Leite. A inauguração do São Luiz, porém, só seria realizada 20 anos depois, em 26/03/1958, graças aos efeitos da Segunda Guerra Mundial e, segundo o pesquisador, também a causas “nunca claramente explicadas”, em contraste com a intensa expectativa popular pelo novo cinema. O filme "Anastácia, a Princesa Esquecida", com Ingrid Bergman e Yul Brynner, inaugurou oficialmente o cine São Luiz.


Dois dias antes da inauguração oficial, o filme “Suplício de uma Saudade”, com Jennifer Jones e William Holden, foi exibido em uma sessão especial, para convidados e imprensa. Entre outros filmes da programação inaugural estavam “O Príncipe Encantado”, de Laurence Olivier; “Meus Dois Carinhos”, com Frank Sinatra, Rita Hayworth e Kim Novak; “Juventude Transviada”, com James Dean, e “Trapézio”, com Gina Lollobrigida e Burt Lancaster.

São Luiz já chamava atenção como um dos mais luxuosos cinemas do Brasil, com um hall de entrada em mármore, três lustres de cristal checos, escadarias, carpetes e pinturas imponentes. A decoração lateral do salão do cinema projetado pelo arquiteto cearense Humberto da Justa Menescal, com a participação de Humberto Monte, José Euclides Caracas e Oscar Dubeux Pinto, foi concebida por Osório Ferreira e Marcelino Guido Budini. A pintura ambiente ficou a cargo da empresa Shaffer e Harvath. A decoração parte de referências da art-déco, ressaltando formas geométricas e lineares, além de uma infinidade de cores e texturas, de encher os olhos.





“Entregando o São Luiz ao público cearense, sinto-me feliz de ter podido realizar uma aspiração que sempre tive de dotar Fortaleza com uma casa de espetáculos à altura do seu progresso e do seu povo”, destacou Luiz Severiano Ribeiro, no programa impresso distribuído ao público quando da inauguração do São Luiz, complementando: “O São Luiz está na vanguarda dos melhores cinemas e com as mais modernas instalações, som e ar-condicionado. Saudando o povo de minha terra, sentir-me-ei reconhecido se meus conterrâneos fizerem do São Luiz o seu cinema”.

Em 1995, o Cine São Luiz passou a sediar o Cine Ceará, principal festival de cinema do Estado e um dos mais longevos no calendário nacional de eventos do setor. Em outubro de 2007 foi arrendado à Federação do Comércio do Estado do Ceará, passando a funcionar como Cine São Luiz – Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro. Em outubro de 2011, o prédio do Cine São Luiz foi adquirido pelo Governo do Estado do Ceará. As obras de reforma e restauro garantiram que o equipamento cultural retornasse à cena, como cineteatro.



Restauração

Iniciadas em dezembro de 2013, as obras de restauração e recuperação do Cine São Luiz incluíram um pacote de melhorias nos sistemas de iluminação, acústica, climatização, piso e revestimento, além de novos assentos (também na tradicional cor vermelha) e equipamentos de projeção. O investimento possibilitou que o equipamento histórico-cultural fosse devolvido à sociedade como um dos mais modernos da atualidade.

Ao mesmo tempo, o Cine São Luiz teve preservada sua memória, pois as características arquitetônicas originais, em suas qualidades estéticas e históricas, foram mantidas. Com a adaptação do São Luiz à nova configuração de cineteatro e às normas técnicas e de acessibilidade, a capacidade foi reduzida de 1.500 para 1.070 lugares (destes, 300 ficam no piso superior).



Inaugurado em 1958 e fechado desde julho de 2010, o Cine São Luiz, tombado pelo Governo do Estado em 1991, em reconhecimento a seu valor como patrimônio histórico e arquitetônico, também recebeu novos equipamentos de projeção e de áudio, para se adequar à configuração de cineteatro. Além da abertura de um amplo palco, com capacidade para grandes espetáculos, também foram feitos reparos em outros espaços, como camarins, o fosso para receber músicos de orquestra.

A finalização da restauração do espaço foi um trabalho em conjunto realizado pela equipe de restauro, coordenada pelo restaurador José Luiz Motta, sob a supervisão de profissionais como o engenheiro Paulo Renato, da Secult (Secretaria da Cultura do Governo do Estado), o arquiteto Robledo Duarte, do Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE), do Governo do Estado, e o engenheiro José Cardoso, da Construtora Granito, responsável pela execução da obra.

Após a reinauguração do São Luiz, com sessões especiais do filme “Anastácia” (o mesmo de 1958) nos dias 22 e 23 de dezembro de 2014, foram necessários ajustes técnicos da estrutura e dos equipamentos relacionados à segurança, sinalização, logística e mobiliário. Esses trabalhos foram realizados nos primeiros meses de 2015 e contaram com a equipe da Construtora Granito e com a coordenação técnica de Paulo Mingoni. Durante esse período foi desenvolvido o conceito do novo São Luiz, por uma equipe que integrou profissionais da Secult e do Centro Dragão do Mar. Foi definido o modelo de gestão e firmadas as parcerias institucionais entre a Secult, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL) e o Sindicato dos Comerciários de Fortaleza.



Objetivos

Em sintonia com as diretrizes da política cultural do Estado, o Cineteatro São Luiz tem como princípio ser um espaço de referência em difusão cultural e apreciação artística, oferecendo à população uma programação acessível e de qualidade, recontextualizando a história e dando atenção à produção contemporânea.

Entre os objetivos elencados pelo secretário Guilherme Sampaio está posicionar o São Luiz como equipamento de destaque no roteiro cultural do Centro de Fortaleza, promover e ampliar o contato do povo cearense com experiências artísticas e estéticas, contribuir para a formação de novos públicos para a cultura e para a democratização do acesso à produção cultural e artística cearense, bem como para a difusão permanente e a valorização dos trabalhos de nossos artistas, em variadas linguagens. Além de estimular os sentimentos de reconhecimento e pertença, de valorização da produção local pelo próprio público cearense e de maior exercício dos direitos à cidade e à cultura, inclusive com movimentação de público para além dos horários habituais do comércio.

Outras diretrizes são destacar a memória afetiva e simbólica do cineteatro e sua qualidade técnica como sala de cinema e casa de espetáculos de referência nacional, oferecer uma programação acessível, consistente e crescente para formar o hábito e o imaginário do espaço, relacionar-se com o entorno (artistas de rua, trabalhadores e frequentadores do Centro e dos bairros próximos) e estabelecer um elo entre gerações, como um espaço para todas as idades.

Cineteatro São Luiz Fortaleza
Rua Major FAcundo, 500 - Fortaleza/CE

Pulguentos e charmosos

Por Heródoto Barbeiro (Jornalista da CBN e TV Cultura. Articulista em jornais, revistas e Internet. Autor de livros na área de treinamento para empresas, jornalismo, história e religião. Gerente de jornalismo do Sistema Globo de Rádio - SP - Seu site)

Garantiram-me que Oswaldo Brandão, o grande técnico de futebol, foi porteiro do cine Santa Helena, na Praça da Sé. Não se pode confundir o Santa Helena, no Palacete Santa Helena, com seu concorrente Cinemundi, que ficava ao lado e num piso inferior. Nem se pode confundir também a época em que o Brandão dirigiu o Palmeiras com o período em que comandou o Corinthians. Este foi o seu verdadeiro período de glória. A ele, diga-se, é atribuída uma resposta antológica a um repórter esportivo que lhe perguntara como, afinal, vira determinada partida: “Com os olhos”, disse o arguto Brandão.
O circuito dos cinemas populares concentrava pessoas que vinham dos bairros para passear no Centro Velho. Era um grande cruzamento de gente, idéias, angústias, esperanças e alegria por poder passear pela região dos grandes arranha-céus. Muitas pessoas ficavam pelo meio do caminho nos sábados à noite, ou nas tardes de domingo, atraídas pelos baixos preços dos cinemas periféricos do centro, que apresentavam dois filmes pelo preço de um. E, de quebra, além dos trailers, um capítulo de seriado, às vezes Zorro, outras Capitão Marvel ou Super-Homem. Uma baciada oferecida para quem vinha da Mooca aos cines Roma e Santo Antônio, na Rua da Mooca. Quem vinha da Penha e de toda a região Leste pelas avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana, preferencialmente de bonde, podia optar pelo Universo ou pelo Piratininga. Este ostentava o garboso título de maior cinema do Brasil. Depois, foi convertido em estacionamento (se o Mazzaropi soubesse...). Quem viesse pela Rua do Gasômetro podia descer no Brás Politeama, instalado num belíssimo prédio do começo do século, com pátio interno. Era possível continuar até o Itapura, bem ao lado do Parque Shangai, mas aí era preciso ter dinheiro. O cine Itapura fazia parte do circuito MGM, por isso era mais caro e só apresentava um filme por vez. Às vezes valia a pena como, por exemplo, para assistir a Quo Vadis, com Robert Taylor e o grande Peter Ustinov no papel de Nero.
Pouca gente se arriscava a entrar no cine Jóia, na Praça Carlos Gomes, bem pertinho da Avenida Liberdade. Era o cinema japonês, e, em plenos anos 1960, ninguém se arriscava a ver um filme de língua desconhecida, num tempo em que poucos sabiam quem era Toshiro Mifune ou Akira Kurosawa. Para os que desciam dos ônibus fumacentos na Praça da Sé, havia a alternativa de pegar um filminho no Alhambra, em plena Rua Direita, ou prosseguir até o Anhangabaú. Lá estavam os populares: de um lado o Nilo e, de outro, o Dom Pedro II. Este, no térreo de um velho palacete todo decorado, era originalmente um teatro com cadeiras de madeira sem estofamento. Afinal, as estofadas eram reservadas para os cinemas de elite.
O povo que vinha da Zona Norte desembarcava na Avenida Cásper Líbero, bem em frente da sede do jornal A gazeta. Na esquina da Rua Santa Ifigênia havia o cine Paratodos, num canto; no outro, ficava – e ainda fica – a igreja que leva o nome da rua, já foi catedral de São Paulo e guarda até hoje, nas paredes, os buracos de bala da Revolução Paulista de 1932. Na outra ponta, o prédio do Quarto Comando Aéreo, ao lado do hotel que encosta-se ao Viaduto Santa Ifigênia.
Tinha cinema para todo lado, todo preço e vestimenta. Com terno e gravata, era possível entrar no cine República, ou no Ritz, ou mesmo no Normandie, na Rua Dom José de Barros. Com “roupa comum”, era possível entrar no Broadway, ou no Oásis, ambos na Avenida São João, onde ficava também o Metro – mas, para freqüentar este último, só de fato completo, como diziam os velhos portugueses da cidade.
Os cinemas populares, que cercavam as salas nobres da Cinelândia e se misturavam a elas, eram carinhosamente chamados de “pulgueiros”. Nunca descobri exatamente por qual razão. Talvez pelas pulgas que insistiam em permanecer sessão após sessão no escuro. Cá comigo, porém, acredito que isso se devia mais às cadeiras de madeira, às bombonières com guloseimas baratas, aos cartazes anunciando sessões duplas, aos banheiros limpos mas mal conservados, aos lustres provincianos. Enfim, à falta de requinte das salas destinadas aos que trajavam paletó e gravata. Nada de piano ou música de câmara antes do filme, apenas o burburinho de pessoas ansiosas para saber como o herói do seriado se safaria da última maldade do bandidão. Eram salas humildes, mas charmosas, a maioria delas alcançadas por transporte público, e ninguém se envergonhava de descer defronte delas trazido por um bonde ou um ônibus da CMTC – a velha Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Afinal, naquela época, as pessoas ainda eram transportadas com dignidade por motoristas e cobradores de quepe, paletó e gravata.

Publicação autorizada pela editora. Texto do livro “Meu velho centro – Histórias do coração de São Paulo”, de Heródoto Barbeiro, da série Trilhas da coleção Paulicéia, da Boitempo Editorial – SESC – 2007

Cinemas pelo mundo: Empire, Odeon e Vue (Londres)

A Leicester Square é uma das áreas mais badaladas e culturais de Londres. Lá você encontra bares, restaurantes, casas noturnas, teatros e cinemas. Os melhores cinemas estão por lá e sediam os principais lançamentos de filmes, envolvendo grandes astros e estrelas, que percorrem o tapete vermelho, dando autógrafos e tirando fotos com os fãs, antes de entrarem no cinema e acompanharem a exibição inaugural com jornalistas e convidados.

Nos jornais locais, rádio e em sites da internet, é possível ficar sabendo local e horário das premières em Londres. Daí o ideal é chegar com algumas horas de antecedência para pegar um bom lugar e poder ver de pertinho os artistas.

Odeon Cinemas
Empire Cinemas
Vue Cinemas

Fotos : Adriana Diogens (04/12/2014)

Produção, divulgação e distribuição dos filmes brasileiros : erros e acertos

Por Edu Felistoque (Cineasta e produtor cinematográfico brasileiro).
Texto exclusivo para o blog Salas de Cinema de São Paulo.

No cinema, Edu Felistoque, produziu os longas ‘400 Contra Um, Uma Historia do Crime Organizado’ (2010), de Caco Souza e o documentário ‘Mazzaropi’ (2013), de Celso Sabadin. 
Dirigiu os longas ‘Soluços e Soluções’ (2000), ‘Inversão’ (2009) e os filmes da série cinematográfica ‘Trilogia da Vida Real’.

O cineasta Edu Felistoque

Insubordinados’ (2015), com roteiro de Silvia Lourenço, foi o primeiro filme da série ‘Trilogia da Vida Real’. ‘Toro’ e ‘Hector’, com roteiros de Júlio Meloni, respectivamente, segundo e último filme da trilogia, estrearam no cinemas em 24 de novembro de 2016. 

Os filmes da série cinematográfica 'Trilogia da Vida Real'

Produção, divulgação e distribuição dos filmes brasileiros : erros e acertos

Para refletir sobre o problema de pouco alcance do público aos filmes brasileiros, mesmo com a produção de centenas de obras, temos que investigar as origens do tal problema que, em minha opinião, se definem nos 7 tópicos abaixo:

1.
O ‘Cinema Novo’, movimento cinematográfico brasileiro criado em 1952, foi necessário por gerar novas e geniais reflexões politicas. Suas produções ganharam prêmios em festivais e reconhecimento internacional, mas nasceu divorciado do grande público brasileiro, por causa da adoção de uma abstrata linguagem, causando uma forte rejeição por parte desse público. Ainda hoje percebemos essa rejeição quando falamos de cinema de arte ou, até mesmo, cinema brasileiro.

O cinema que mantinha um bom diálogo com o público, antes do movimento ‘Cinema Novo’, era composto de filmes populares, de entretenimento, na maioria comédias, como as famosas ‘Chanchadas’, brutalmente atacadas pelos ‘cinemanovistas’, que alegavam uma séria falta de identidade brasileira nos filmes ‘americanizados’ da época. Logo entraram em declínio e, mais tarde, deram lugar à teledramaturgia na TV.

A comédia, esse gênero bem mais ‘comercial’, faz ainda muito sucesso, mas utilizando-se de uma linguagem televisiva, junto de seu elenco conhecido, para que o público continue no clima e na linguagem das novelas de TV, já que está tão acostumado. O ‘Cinema Novo’ não poderia substituir as ‘Chanchadas’ e nem as ‘Chanchadas’ deveriam substituir o ‘Cinema Novo’, os dois movimentos deveriam conviver em paz até hoje!

2.
Exposição e imposição demasiada da linguagem cinematográfica americana sobre o público brasileiro, que acabou se acostumando com eles de tal forma que, hoje, causa-se estranheza e intolerância a outras linguagens, principalmente, a dos filmes brasileiros.

3.
Obviamente, como o cinema americano dá muito mais lucro aos distribuidores e exibidores de cinema e TV, esses não querem se arriscar e apostar em obras brasileiras. Isso também é reflexo da larga exposição de obras americanas em nosso território.

4.
Arrogância de muitos realizadores, produzindo e impondo filmes com linguagens inacessíveis do grande público. Precisamos pensar nosso cinema, também, como ‘produto audiovisual e de entretenimento’. Adoro filmes de arte e seus dramas existenciais, mas, por muitas vezes, as pessoas querem escapar da estressante vida moderna (ainda mais com esta recente crise politica e econômica), levar a namorada ou a família ao cinema, comer pipoca, dar risada, se divertir e emocionar-se. Não vejo nada de errado nisso!

5.
Faltam salas de cinema com preços mais acessíveis. O preço dos ingressos praticado pelas grandes redes de exibição é inacessível para muitas famílias. O acesso ao cinema deveria ser uma contrapartida direta a população mais carente, uma vez que os filmes nacionais utilizam verbas públicas para fomento, oriundas de impostos.

6.
A inexistência de uma séria e ampla divulgação dos nossos filmes.

7.
A falta de políticas públicas e de fomento para filmes brasileiros, nas fases de divulgação e distribuição.

O ‘Ministério da Cultura’ e a ‘Ancine – Agência Nacional do Cinema’ tiveram muitos acertos nos últimos anos, porém existem alguns erros pra corrigir. Por exemplo: em um edital de produção, o filme deveria, também, ser contemplado em um possível ‘pacote de produção’ que contasse com verbas de produção, divulgação e comercialização. Muitas produções ganham editais, são filmadas, editadas e finalizadas, mas, depois, ‘jogadas na gaveta’, porque não conseguem verbas para a importante divulgação e distribuição, tanto no cinema como na televisão.

Creio que muitos produtores pensam de forma equivocada sobre a relação entre custo e qualidade de produção, isso não procede! Um bom exemplo é o de nossos vizinhos argentinos que com seus filmes ‘pé no chão’, trabalham com orçamentos 50% mais baratos do que os brasileiros e seus filmes alcançam grande sucesso com o público local.  
Outros produtores praticam até hoje uma desnecessária ‘tabela de custos de filmes publicitários’ na produção de filmes de cinema. Além disso, administrar dinheiro público custa caro. Temos ainda um sério agravante: o interesse em lucro na captação dos recursos, já que está estranhamente ‘estabelecido’ que o cinema nacional não dá lucro!

Tive a felicidade de estudar em Cinecittá (Itália), aprendi e me inspirei com o ‘Neorrealismo Italiano’, movimento cinematográfico pós-guerra, que diante de uma Europa com dificuldades enormes, prioridades na saúde e na alimentação do povo, sem verbas para grandes cenários e equipamentos (parecido com o Brasil de hoje), cineastas criativos inventaram uma forma mais econômica e diferente de filmar, adotaram Roma como cenário para suas histórias, uma personagem sem igual. Criatividade em meio às dificuldades. Essa prática possibilita firmar novos negócios, inclusive com pequenos e médios empresários e, também, reduzir custos com cenografia e estúdios, já que todas as cenas são rodadas em locações reais. A ‘Spcine’ está trabalhando de forma positiva para o funcionamento de uma eficiente “Film Commission, que vai diminuir custos e viabilizar, com rapidez e sem burocracia, autorizações para filmagens nas ruas da cidade de São Paulo. Isso também é uma forma de divulgação e apresentação de nossas cidades e da nossa cultura. Os filmes da ‘Trilogia da Vida Real’ que dirigi (‘Insubordinados, Toro e Hector’), foram produzidos com esse pensamento, que surgiu na gênesis do roteiro do filme Inversão (com Gisele Itie, Wander Wildner, Tadeu Di Pietro e Marisol Ribeiro) e, depois, no inicio da criação dos roteiros da série televisiva ‘Bipolar (com Silvia Lourenço, Felipe Kannenberg, Priscila Alpha, Rodrigo Brassoloto e Sergio Cavalcante).

INSUBORDINADOS foi lançado em 2015 e, agora, estamos lançando os dois últimos filmes da trilogia, TOROe HECTOR.

Temos que passar logo essa fase, essa época difícil, onde alguns críticos e gestores culturais escolhem defender e apoiar, somente filmes de realizadores que compactuam com seus pensamentos políticos. Esse preconceito, assim como o de gêneros cinematográficos, tem que acabar logo. O não preconceito é moderno e produtivo e, além disso, não dispersa energia, pois já temos oponentes demais para digladiar, principalmente, os ‘blockbusters’, que não sou contra, mais sim a favor de termos uma programação semanal de filmes mais eclética e equilibrada, com muitos filmes brasileiros e outros de diversas nacionalidades (os chamados ‘filmes de arte’), junto das famosas produções norte-americanas.

A maior dificuldade do cinema brasileiro, sem dúvida nenhuma, é a falta de políticas que proporcionam levar, de forma mais barata, nossos filmes ao público brasileiro. Não precisa focar somente em salas de cinema, existe a TV aberta (já que é uma concessão) que deveria sim, ter uma lei de exibição de conteúdo brasileiro independente, como a lei da TV paga, nº 12.485. E tanto para a TV paga como para a TV aberta, deveríamos contar com uma significativa campanha de divulgação no próprio canal de exibição, com inserções na grade de comerciais, de chamadas e trailers de 30 segundos dos filmes à serem exibidos na grade de programação.

Já vejo como ótima iniciativa e, com bons olhos, o programa ‘Quero Ver Cultura’, a plataforma de vídeo por demanda que foi desenvolvida pelo Ministério da Cultura, com conteúdos audiovisuais nacionais, como curtas e longas-metragens, de ficção ou documentários, produzidos com o apoio de recursos da lei do audiovisual, que os beneficiários do ‘Bolsa Família’ terão acesso através de um conversor. Este projeto pode alcançar um público de até 60 milhões de pessoas. Só não pode exibir apenas filmes políticos ou ideológicos e, principalmente, não pode existir o protecionismo partidário dos programadores e curadores!

O ‘Circuito Spcine’ de salas de cinema, que prioriza a periferia, também é um ótimo exemplo para levar o cinema nacional ao público brasileiro.

As Leis de incentivo a cultura precisam, urgentemente, de amplas reformas. Existem muitas falhas acontecendo, uma delas é o equívoco de conceitos e interpretação das leis. O ato de financiar ‘show business’, com dinheiro de renúncia fiscal para fomento da cultura, chega a ser leviano.

Não sou totalmente contra a utilização de dinheiro público para o fomento do audiovisual brasileiro e, seguramente, afirmo que os produtores independentes não devem somente se ater aos mecanismos de fomento audiovisual, via leis de incentivo e editais. Precisamos lembrar que a palavra ‘fomento’ significa ‘estimulo’, aquilo que anima, que motiva à realização de algo, e eu compreendo que tal ‘ajuda’ serve como catapulta, o início de um negócio, que depois, com o tempo, deverá caminhar com suas próprias pernas, para poder gerar credibilidade do real sucesso, por mérito e não por ajuda política. Não podem existir paternalismos! Estou me referindo a uma indústria do ‘cinema independente brasileiro’ e não a uma ‘indústria de cinema dependente brasileiro’ e seus ‘efeitos colaterais políticos’.

As leis de subsídios não devem somente garantir a produção! O mecanismo das leis precisa criar pontes para levar o filme brasileiro ao seu público, mesmo que, para isso, tenhamos que produzir menos para exibir mais!

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BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.