Cia Os Satyros reinaugura o Bijou, histórico cinema de rua da cidade de São Paulo

Em 25/01/2022, ao completar 468 anos, a cidade de São Paulo e seus moradores ganham uma nova sala de cinema para chamar de sua. A comemoração do aniversário da cidade foi a data escolhida para a reabertura do clássico Cine Bijou, agora administrado pelo grupo Os Satyros, capitaneado pelos artistas e gestores Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Após 26 anos fechado, o cinema da Praça Franklin Roosevelt, no centro da cidade, reabre suas portas como espaço democrático e multifacetado, com programação intensa e especial para a semana de inauguração.


O Cine Bijou foi uma das salas de cinema mais emblemáticas da cidade de São Paulo, tendo funcionado entre 1962 e 1996. Ícone e referência de resistência artística durante a ditadura militar, foi de fundamental importância na formação cultural de toda uma geração, levando às telonas filmes polêmicos e censurados na época.

Durante a sua existência, deu espaço para filmes do Cinema Marginal, de movimentos alternativos-experimentais, além de clássicos do Cinema Novo. Em sua programação constavam produções de Stanley Kubrick, Luis Buñuel, Ingmar Bergman, Glauber Rocha, Jean-Luc Godard, François Truffaut e Neville de Almeida, além de obras russas e japonesas. Entre 1964 e 1985 chegou a exibir grandes filmes da história cinematográfica, como "Laranja Mecânica", "Morangos Silvestres", "Blade Runner" e "Indiana Jones".

O cinema brasileiro terá um foco especial na reabertura do Bijou, com empenho para colocar em cartaz, além de clássicos, filmes que não têm oportunidade no circuito ou passam meteoricamente pelas salas de exibição.

SALA PATRICIA PILLAR

A sala do Satyros Bijou foi batizada Sala Patricia Pillar, numa homenagem à atriz, diretora e produtora, personalidade importante do cinema, do teatro, da teledramaturgia e peça fundamental no processo de reabertura do Bijou.

Patricia estreou no cinema em 1983, com "Para Viver Um Grande Amor" e, desde então, estrelou premiadas obras, como "A Maldição de Sanpaku", "O Quatrilho", "Amor & Cia" e "Zuzu Angel". O drama biográfico dirigido por Sérgio Rezende em que a atriz interpreta a estilista Zuzu Angel lançará oficialmente a tela da Sala Patricia Pillar, em 25/01/2022.

ABERTURA

A cerimônia de abertura do Satyros Bijou, marcada para 25/01/2022, a partir das 20h, traçará um panorama geral das sessões, eventos e projetos especiais prospectados para a ocupação da sala de cinema.

Para a ocasião, serão exibidos o curta-metragem "O Quintal dos Guerrilheiros", de João Carlos Massarolo e o longa-metragem "Zuzu Angel", de Sérgio Rezende.


Com o intuito de comemorar esse espaço de resistência, será realizada uma semana inteira de abertura, sempre com mesas de debate antecedendo as exibições, que recebe filmes de Laís Bodanzky, Tata Amaral, Helena Ignez, Kleber Mendonça Filho, Felipe Bragança, Leonardo Martinelli, Andradina Azevedo, Dida Andradina, Bruno Autran, Gil Baroni, Leo Tabosa, Amir Escandari, Claudio Borrelli, Lufe Bollini, Mariana Yomared, Joel Pizzini, Paulo Sacramento, Gustavo Vinagre, Julia Katharine, Sabrina Fidalgo, Nara Normande, Tião, Fabio Leal, Ivam Cabral, Rodolfo García Vázquez, entre outros.

A semana será dividida de forma temática, trazendo à pauta temas de relevância cultural e representatividade, como o cinema independente, o cinema autoral e a presença da diversidade e das mulheres no cinema.

A PROGRAMAÇÃO

O Satyros Bijou será um espaço múltiplo, como celeiro de debates, apresentações teatrais e musicais, sem perder sua essência de cinema de rua. Com sessões gratuitas ou a preços populares, sua tela se destinará a exibições de curtas, médias e longas-metragens, sempre de quinta a domingo, com exceção de sua semana de abertura (25 a 30 de janeiro de 2022).

Durante o mês de fevereiro, serão exibidos os filmes vencedores do Festival Satyricine Bijou, iniciativa da Satyros Cinema de valorização do cinema independente, que aconteceu em setembro de 2021, de forma digital.

Além disso, a fim de criar um espaço de experiências, serão desenvolvidos projetos especiais para a programação. Imagine poder convidar os seus amigos para uma sessão exclusiva onde você exibirá o filme que mais te marcou e depois falar sobre ele. Essa é a proposta da Sessão "O Filme da Minha Vida", uma das iniciativas para a reabertura do Bijou.

Outro caso ainda é a Sessão "No Escuro", com exibições em horários alternativos, que convida o público a comparecer ao cinema sem saber qual filme irá assistir. Uma surpresa a cada sessão.

Já às quintas-feiras, o projeto "Cinema Falado" propõe debates temáticos após a exibição de filmes.

A prospecção de todas essas ações é transformar o Satyros Bijou em um espaço único, um bunker de resistência, um espaço para quem consome e faz cinema, um espaço de trocas e conexões, um espaço que seja a cara de São Paulo.

O ESPAÇO

Após reformas, o cinema recebeu estrutura moderna e de excelência técnica, sem abrir mão das características da antiga sala. 

Bijou, que vem do francês e significa  joia, traz ares de obra de arte em sua concepção. A fim de respeitar a memória desse espaço vanguardista e corresponder aos olhares saudosistas, a sua arquitetura base foi mantida. A sala de 77 lugares teve suas poltronas vermelhas, com detalhes em costura, restauradas, assim como as suas paredes e teto, desenhados em gesso. O local também conta com um pequeno palco, que receberá eventos de diversas linguagens.



Será preservada a ideia de um espaço alternativo, democrático e acolhedor para o convívio do público e artistas, com programação voltada à exibição regular de filmes de arte e autorais de todas as partes do mundo, incluindo inovações e experimentações ligadas ao audiovisual, assim como a participação nas principais Mostras e Festivais que acontecem anualmente na cidade.

Uma das novidades é a parceria com a Editora Giostri, que manterá no hall de entrada um café bar e uma pequena livraria voltada para obras, principalmente nacionais, sobre cinema. Um presente para cinéfilos e amantes da sétima arte.

UM SONHO POSSÍVEL

A sala, localizada no número 172 da Praça Franklin Roosevelt, já havia sido um teatro e, quando vagou em 2019, estava na iminência de se transformar em um bar ou uma igreja. Foi nesse momento que Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores do grupo Os Satyros, abraçaram o espaço com o sonho de devolver à cidade um dos poucos cinemas de rua da capital paulista.



Com os altos custos para a revitalização do cinema, o grupo contou, além da aplicação de recursos próprios, com a ajuda de personalidades como Patricia Pillar, Maria Bonomi, Walcyr Carrasco, Maria Helena Peres, Carlos Giannazi, Celso Giannazi, e personalidades anônimas, que colaboraram de forma direta ou através de campanha de financiamento coletivo, para levantamento e modernização da sala.

Após dois anos sem poder abrir o espaço, em decorrência do período pandêmico, finalmente o Bijou poderá receber o seu público.

SATYROS CINEMA

A gestão da sala é feita pela produtora audiovisual Satyros Cinema, braço cinematográfico do coletivo Os Satyros.

Fundado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez em 1989, Os Satyros tem renomada carreira no teatro, carregando em seu currículo os maiores prêmios da categoria e sendo parte fundamental no processo de revitalização da Praça Roosevelt.

A Satyros Cinema iniciou a sua atuação com a experiência de Cabral e Vázquez em documentários, séries e novelas, em 2012, com a produção de seu primeiro longa-metragem, "Hipóteses para o Amor e a Verdade". Em 2017, deu início ao seu segundo longa, "A Filosofia na Alcova", que ficou em cartaz durante 61 semanas no Cine Belas Artes, tornando-se um dos títulos mais longevos da sala. Os dois longas acumulam diversas indicações.

Em 2021, produziu o seu terceiro longa-metragem "The Art of Facing Fear", que está em fase de finalização.

Texto enviado por Stella Stephany, da JSPONTES Comunicação, assessora de imprensa do cine Bijou.

Fotos: Andre Stefano

Homenagem a Luiz Carlos Pereira da Silva

A pessoa que mais me incentivou na continuidade das pesquisas sobre a história das salas de cinema foi o Sr. Luiz Carlos Pereira da Silva, morador da cidade de Indaiatuba.

Em seu primeiro contato por e-mail, em 01/10/2010, disse: "Parabenizo pelos 3 anos do blog. Um dos melhores por manter nossas memórias vivas e, ter participado do sorteio do livro".

Dias depois, resolveu me presentear com fotos de antigos cinemas que fez no ano de 1994. Mandou um e-mail, em 19/10/2010, dizendo: "Solicito endereço para enviar fotos de cinemas". E outro em 21/10/2010: "Segue via Correios 48 fotos de 34 cinemas, confirmar quando do recebimento, grato".

Recebi um envelope volumoso, pois eram fotos de verdade! Fiquei maravilhado com o presente e com a preciosidade do material. Logo comecei a publicá-las no blog! Dias depois, em 13/11/2010, recebi elogios do Sr. Luiz: "As fotos ficaram lindas, a esposa também gostou, é bom colaborar com pessoas como você, que faz um belo trabalho".



Depois, em 21/01/2011, um agradecimento: "Ricardo, quem agradece sou eu, pois nunca imaginei que simples fotos pudessem fazer parte de um trabalho igual ao seu, como um 'Cinema Paradiso', revitalizando o passado em imagens perdidas na gaveta. Obrigado sim a você pela minha participação".

Certa vez, resolvi encerrar as pesquisas e dar um ponto final a este blog e a sua extensão, o Banco de Dados. Encontrava-me com problemas de saúde e sem tempo para continuar. A publicação do encerramento das atividades provocou um lamento em muitos leitores apreciadores da temática ‘salas de cinema’.

A reação do Sr. Luiz foi mais prática! Passou a me enviar, quase que diariamente, material informativo sobre salas de cinema, que coletava em acervos digitais. Foram mais de 200 e-mails sempre muito discretos e com poucas palavras, mas de muita generosidade.

Hoje, as informações contidas nos blogs SALAS DE CINEMA DE SÃO PAULO são referências em pesquisas feitas por universitários e jornalistas. Já foram mais 1 milhão e meio de acessos!

Agora, tenho mais um motivo para continuar com as pesquisas. Pois os blogs passaram a ser, também, um tributo ao Sr. Luiz Carlos Pereira da Silva. Pois, infelizmente, descobri que ele já não está entre nós. Faleceu em 2019, dois anos após sua esposa Nair Brusolin Pereira da Silva também ter falecido. 

Até mesmo nos dias após a morte de sua esposa, se preocupou com minhas pesquisas e me enviou um e-mail, em 04/10/2017: "Ricardo, a Nair minha esposa, faleceu domingo passado (30/09) e, vou parar de pesquisar por um mês até as coisas voltarem a normalidade. Grato. Luiz".

Sempre quis conhecer o Sr. Luiz pessoalmente e, na última semana do ano de 2021, finalmente surgiu a oportunidade de visitar a cidade de Indaiatuba. Mas quando cheguei em frente de sua casa recebi a triste notícia de sua morte, através dos seus vizinhos, o casal Sérgio, Eliane e o filho Leonardo, uma família muito simpática, que logo passaram a reverenciar o Sr. Luiz e Dna. Nair, tecendo muitos elogios e mostrando o sentimento de muita saudade.

Luiz também era artesão e esta casinha foi presente aos vizinhos


Homenagem a Dante Ancona Lopez

Por Lia Ancona de Faria, filha de Dante Ancona Lopez

Dante Ancona Lopez, meu pai, foi um grande pai e uma pessoa com todas as contradições que sua época proporcionava. Havia a vida na família e a vida lá fora e estes mundos só se encontravam com muita dificuldade.

Dante e sua esposa Linda Ancona Lopez


Amava seu trabalho que, a partir de um certo ponto, era o cinema. Cuidava dos cinemas e dos filmes escolhidos como quem cuida de um filho.

Quando havia uma estreia, a preocupação era com o clima: vai chover? Pois a chuva espanta quem vai ao cinema…. E a sala, será que vai encher, com este frio?

Qualquer filme novo era um evento. Chamava toda a família para assistir a pré-estreia e, se alguém não gostasse, era melhor não dizer nada, pois Dante ficava ofendido pela 'cria'.



Trabalhou muito, pra sustentar uma família com 5 filhos, todos estudando em escolas particulares. Mas também se divertiu muito, pois seu espírito era alegre e, sempre que dava, organizava uma viagem à Europa, num tempo em que a Europa ainda era muito longe!

Veio de uma família grande, tinha 9 irmãos, sempre muito unidos.

Deixou o trabalho com mais de 80 anos e nunca foi esquecido por quem é próximo ao cinema, pelos exemplos que deixou.

É com grande alegria que estou escrevendo essas linhas que me foram solicitadas.

Dante faleceu em 30/12/1999. Não esperou o novo século, e isto foi a cara dele, que nunca deixou de ser um grande romântico. Os anos 2000 não foram feitos pra sonhadores.

Descansa em paz, meu pai, com todo o meu amor.

Agradeço a Lia Ancona de Faria pelo texto feito carinhosamente para o blog Salas de Cinema de São Paulo e por toda a atenção dada por sua filha Alessandra Ancona de Faria, diretora da CIRCULARTE EDUCAÇÃO.


Morre exibidor pioneiro de filmes de arte em SP

Por Leon Cakoff (1948-2011) – Folha de S.Paulo – 06/01/2000

Difícil imaginar o que teria sido dos cinéfilos brasileiros sem o trabalho abnegado de Dante Ancona Lopez, que morreu no último dia 30, aos 90 anos.



Certamente, nomes de alguns dos grandes gênios do cinema como Fellini, Bergman, Bresson, Antonioni e Kurosawa não seriam tão populares entre nós. Dante criou em São Paulo, ao inaugurar em 1957 o antigo cine Coral, na Rua Sete de Abril, com o filme de Fellini "La Dolce Vita", um novo conceito de programação, que espalhou seguidores pelo país: o do ‘cinema de arte’.

Os exibidores de então, nada distintos dos de hoje, totalmente dependentes da máquina hollywoodiana, viam em Dante a figura de um louco que acreditava em filmes, autores e cinematografias de países completamente à margem do massificado. Felizmente, a sua programação fazia sucesso e passou a ter o mais forte aliado possível da época, os exibidores Julio e Florentino Llorente e Antonio Serrador. E foi para o extinto Circuito Serrador que Dante Ancona Lopez reformou o cine Trianon, que foi reinaugurado, em 1967, como Belas Artes, então com três salas, escrevendo uma das mais bem-sucedidas histórias da programação de cinema em São Paulo. Gostava de dialogar com o seu público, criando sempre frases para os anúncios dos filmes que lançava, acompanhados do seu lema Espetáculo, Polêmica e Arte.

Antes do BelasArtes vieram as iniciativas de criar e presidir a Sociedade Amigos da Cinemateca, em 1962, e inaugurar o cine Picolino, na Rua Augusta, em 1965. Foi também publicitário e radialista, dirigindo nos anos 40 um programa na Rádio Cruzeiro do Sul ao lado de Francisco Alves. Como publicitário, dirigiu os suplementos do jornal ‘A Gazeta’ e ingressou no cinema, em 1933, quando cuidou para a RKO da campanha de lançamento de "King Kong".

Os últimos trabalhos de Dante Ancona Lopez no cinema foram a transformação do cine Rio, no Conjunto Nacional, em Cine Arte Um, e a assessoria que deu ao efêmero Elétrico Cineclube.

CINE MARQUISE, o histórico cinema do Conjunto Nacional

Por Antonio Ricardo Soriano




Conheça um pouco da história do CINE MARQUISE :

Foi inaugurado em 09/03/1963, com o nome de cine Rio, pela Empresa de Cinemas Rio Ltda., de propriedade de José Bruno, Nicolino Somma e Emilio De Fina. "O Assassino", do cineasta e roteirista italiano Elio Petri, com Marcello Mastroianni, Cristina Gajoni e Micheline Presle foi o filme escolhido para a inauguração. Tinha uma plateia com 500 lugares.

Anúncios de 08/03/1963



Um grande incêndio atingiu parte do Conjunto Nacional em 04/09/1978, inclusive o cine Rio. O jornal 'Folha de S.Paulo' noticiou que o cinema teve um pequeno foco de incêndio no interior da sala de projeções e que ficou totalmente úmido devido a água utilizada no combate às chamas. Mas não informou quanto tempo deixou de exibir filmes e se, realmente, houve interrupção, já que as sessões do filme nacional "Chuvas de Verão" (1978) continuaram sendo anunciadas diariamente até 15/10/1978 (Domingo). O cinema entrou em reforma no dia seguinte, em 16/10/1978, reabrindo em 05/02/1979, com o filme italiano de animação 
"Música e Fantasia" (1976).





















Em 12/11/1982, o cinema passou a integrar o circuito Cinearte, da empresa F. J. Lucas, com o nome Cine Arte Um e programação do experiente Dante Ancona Lopez. O primeiro filme exibido foi “Mamãe faz 100 anos”, do cineasta e roteirista espanhol Carlos Saura.

“Temos um público considerável para o filme de melhor categoria e dispensamos, graças a nossa sensibilidade, os exemplos e as lições alienígenas. Tudo será desenvolvido em torno do lema “espetáculo, polêmica e cultura”, que norteou as atividades da SAC - Sociedade Amigos da Cinemateca - da qual fui presidente durante oito anos, de 1967 a 1975. Ela nasceu de uma sugestão de Paulo Emílio Salles Gomes com o intuito de atrair o público mais exigente. Por isso, o Cinearte o adota agora”, disse Dante Ancona Lopez, para o jornal ‘Folha de S.Paulo’, de 07/11/1982.

O saguão do Cine Arte Um era usado como galeria de arte e a primeira exposição, chamada “Psicologia Também É Arte”, iniciou-se já na inauguração do renovado cinema. Depois, em 04/11/1983, estreava “Gravuras da Itália”, com obras de Rafael, Canaletto, Piranesi, entre outros. Completava a exposição, reproduções de 12 mosaicos de Pompéia e livros de arte italiana à disposição do público para consulta.

“O que pretendemos, inclusive, é organizar esses eventos extras de acordo com a temática dos filmes, desde que seja possível”, afirmou Dante Ancona Lopez.




Uma segunda sala foi construída e inaugurada em 15/09/1995, com o filme "Cortina de Fumaça", de Wayne Wang. O cinema passou anunciar exibições de novos filmes como Cinearte Sala 1 e Cinearte Sala 2. A primeira sala passou a ter 300 lugares e a nova, 150 lugares.


Uma exibição antecipada e exclusiva do premiadíssimo filme italiano "A Vida É Bela", de Roberto Begnini, presenteou os cinéfilos em 23/01/1999, numa sessão à meia-noite.




Em 2001, o cinema mudou de nome para Cinearte e passou a ser administrado por Adhemar Oliveira e Leon Cakoff
Saiba mais :

Mas, em 2003, passou a operar deficitariamente e ficou sob ameaça de fechamento. A situação mobilizou frequentadores, moradores da região e o poder público. Primeiro com um abaixo assinado, iniciado desde as primeiras sessões do filme "Durval Discos", de Anna Muylaert e, depois, com a criação da campanha 'SOS CINE ARTE', coordenada por Vilma Peramezza, síndica e gerente geral do Condomínio Conjunto Nacional.

Uma vigília cinematográfica foi realizada em 25/04/2003. As duas salas do Cinearte abriram às 22 horas, exibindo filmes até as 6 horas da manhã do outro dia. O objetivo da 'Maratona SOS Cinearte' foi atrair a atenção do público e de possíveis interessados em investir na manutenção das salas. O resultado foi excelente e serviu para reabrir, posteriormente, o cinema.

Depois de uma grande reforma, o cinema foi reinaugurado, em 22/10/2005, como Cine Bombril, com a exibição do filme "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, numa noite só para convidados. Um nome não muito adequado ao cinema, mas valeu a pena, pois a empresa investiu muito no espaço. Além de modernos equipamentos de som e projeção, o cinema recebeu nova decoração e acomodações e, na sala 1, poltronas de 64 cm. de largura e distância de uma fileira para a outra de 1,25 metros.

















Em 03/09/2010, mudou-se o patrocinador, o layout e a decoração, passando a chamar-se Cine Livraria Cultura.

Mais uma vez o cinema perdeu o patrocínio e, em 18/06/2015, passou a chamar-se Cinearte. Seguiu firme com programação de filmes de excelente qualidade e a sala 1, como uma das melhores da cidade.




Em 29/05/2018, uma sessão especial reinaugurou o cinema, desta vez, com o patrocínio da Petrobras, com o filme "Paraíso Perdido", de Monique Gardenberg. O cinema passou a se chamar
Cinearte Petrobras.






Em março de 2019, o contrato com a empresa estatal não foi renovado. Em 19/02/2020, o cinema exibiu o filme "Parasita", como sua última sessão.

"O Cinearte é uma luta que travamos há 22 anos. Mas, neste momento de conjuntura inglória, é altamente necessário para esse modelo com filmes independentes ter parcerias", disse Adhemar Oliveira, proprietário e programador do cinema. 

E disse mais: "Quando se trabalha com blockbuster, você é um operador da sala. O cinema independente exige que se construa tanto a sala quanto o filme".

Mas, em 2021, graças a criatividade, coragem e competência de Marcelo J. L. Lima, CEO da Tonks e realizador da Expocine, o cinema reabriu inteiramente novo! Nas duas salas: telas, poltronas, som, projeção... tudo novo! 

O Cine Marquise foi inaugurado oficialmente em 19/10/2021, com o patrocínio da Globoplay, Sabesp e EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia, e teve como primeira exibição, o filme "Noite Passada em Soho", abrindo a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 

INAUGURAÇÃO
Texto de Renata Vomero, repórter da Revista Exibidor, do Grupo Tonks.
Fotos: Márcio Neves












CINE MARQUISE

Sala Globoplay 1 - 370 lugares - Com sistema de som Dolby Atmos
Sala Globoplay 2 - 96 lugares

A primeira fileira das salas possui poltronas duplas espaçosas, que permitem aos espectadores assistirem aos filmes deitados. Sistema de som Dolby, telas perolizadas e projeção digital Christie. Também conta com cafeteria e bombonière.

Endereço : 
Conjunto Nacional - Piso térreo
Avenida Paulista, 2073 - Bela Vista
Rua Padre João Manuel, 100 - Cerqueira César

Última atualização: 03/01/2022

Minha participação em SALAS DOS SONHOS

Documentário SALAS DOS SONHOS - Spcine

Pesquisa, roteiro, produção e direção geral : Paulo Wences Duarte

CLIQUE AQUI e acesse aos 10 episódios do documentário 

O nascimento de um cinéfilo: uma autobiografia

Por Antonio Ricardo Soriano

Os filmes de Jerry Lewis, na Sessão da Tarde, as reprises de A Fantástica Fábrica de Chocolate ou, até mesmo, os antigos seriados de TV, como Viagem ao Fundo do Mar, me despertaram um grande interesse pelos filmes logo na infância. Aguardava com ansiedade a chegada das férias escolares para poder assistir aos muitos filmes que passavam no Festival de Férias nas tardes da TV. Isso nos anos de 1970 quando o VHS não havia chegado ao Brasil.

Quem me levou pela primeira vez ao cinema foi meu pai. Assistimos juntos Se Meu Fusca Falasse e filmes de Os Trapalhões em cinemas próximos de casa, como o cine Nacional (no bairro da Lapa) e os cines Haway e Flórida (no bairro de Perdizes).

Mas foi em 1980, quando eu tinha apenas 10 anos de idade, que a paixão pelo cinema se manifestou. Meu tio Gilberto me levou para assistir ao filme Xanadu, com Gene Kelly e Olivia Newton-John, no melhor cinema de São Paulo: o Comodoro Cinerama. Foi ali que tive, pela primeira vez, a experiência do cinema espetáculo. Um musical maravilhoso visto numa tela gigantesca e com som de extrema qualidade, que só o cine Comodoro podia nos proporcionar. O filme me despertou a curiosidade de pesquisar sobre cinema, na época apenas em jornais e revistas.

Lobby card do filme Xanadu (1980)


Em seguida tive novas e agradáveis experiências no cine Comodoro, como as exibições de E. T. - O Extra-Terrestre, Tron – Uma Odisseia Eletrônica, Jogos de Guerra, Indiana Jones e o Templo da Perdição e De Volta para o Futuro. Nesse período, passamos a ter nas bancas de jornal, uma revista especializada em cinema, a Cinemin, que vinha do Rio de Janeiro. Uma excelente revista com rico conteúdo sobre as novidades do cinema e sua história.  

Interessante dizer que, talvez, aquela minha recente paixão pelo cinema acabou influenciando e motivando o meu tio Gilberto. Ele também se interessou mais por cinema e, a partir daí, passou a comprar livros, revistas e discos com a trilha sonora de filmes.

Meu tio Gilberto (in memoriam)


Passei a dividir a paixão pelo cinema com a música. Em 1981, uma grande banda de rock britânica veio pela primeira vez ao Brasil: era Freddie Mercury e sua banda Queen. O show foi transmitido ao vivo pela Bandeirantes FM e eu gravei tudo em duas fitas cassetes. O Rock & Roll passava a ser o meu ritmo musical preferido.

Em 1983, senti pela primeira vez a “presença da Força” assistindo ao filme O Retorno de Jedi no cine Ouro (no Largo do Paissandú), o sexto episódio da saga Star Wars. Depois, precisei aguardar a reprise de Guerras nas Estrelas e O Império Contra Ataca pela TV aberta.

A curiosidade e as pesquisas sobre cinema aumentaram. Em 1985, tive a ideia de fazer um jornal sobre o tema, talvez, influenciado pelo farto material que meu tio havia adquirido. A ideia surgiu em um sonho e, ao acordar, fiz os primeiros esboços. Algo bem simples, com colagens de notícias de jornais.

Apresentei o jornal aos meus primos Roberto e Marcos Gabler, que logo se interessaram. O Marcos já trabalhava na área de publicidade e se ofereceu para fazer o design gráfico do jornal. Estimulados, eu e o Roberto combinamos de pesquisar e redigir textos para o jornal que teve o nome escolhido no mesmo dia: Cine Fanzine.

Os números 1 e 2 do Cine Fanzine


Como ainda não existia a internet, essas pequenas publicações, chamadas de fanzine (fan + magazine) eram bem cultuadas.

O Cine Fanzine acabou ficando bem atraente e com bom conteúdo textual. O primeiro número foi lançado no início de 1986 e teve uma tiragem bem pequena que foi distribuída no Cineclube Oscarito. Em seguida, alguns exemplares foram enviados através de cartas aos associados do The Pictures Club, um fã-clube de cinema também criado por nós. Um exemplar do fanzine acabou chegando à redação de jornalismo da TV Cultura, que nos chamou para duas entrevistas: uma ao vivo, no programa especializado em cinema Imagem & Ação e outra gravada, no programa de variedades Panorama.

Entrevista ao vivo no programa Imagem & Ação da TV Cultura


O lançamento do fanzine culminou com a chegada do videocassete em minha casa. Que alegria! Começavam ali as maratonas de filmes durante os finais de semana. Cheguei a ficar sócio da recém-lançada 2001 Vídeo Locadora (na Av. Paulista) para locar clássicos do cinema. Os lançamentos ficavam por conta das locadoras do bairro.

Lançamos o nº 2 do Cine Fanzine em setembro de 1986 e já preparávamos o terceiro quando tivemos que cancelar o projeto por motivos profissionais. Um ciclo criativo de minha adolescência terminava, cedendo lugar para a fase adulta.

A partir dos anos de 1990, acompanhei com tristeza o fechamento de quase todos os cinemas de rua que frequentei e outros que acabaram mudando a programação para filmes pornográficos. A Cinemark trouxe suas micros-salas de cinema para os shoppings e, logicamente, não me encantaram. Passei um longo período longe dos cinemas, mas não das vídeo-locadoras. Acompanhei o cinema através dos lançamentos em VHS e, depois, dos DVD’s.

Os anos se passaram, casei e tive uma linda e encantadora filha. Foram anos muito felizes e, também, de muito trabalho.

Em 2003, tive a felicidade de começar a trabalhar na biblioteca do Colégio Dante Alighieri. Passei a ter acesso diário a muitas informações culturais. Foi uma inspiração enorme para começar a concretizar mais uma grande ideia.

Sentia saudades daqueles incríveis momentos no cine Comodoro, lá nos anos de 1980, e a ideia de homenagear esse cinema passou a ser uma constante. Pesquisava na internet e não encontrava quase nada sobre o cinema. Apenas dois textos incríveis: um do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho e outro do carioca e professor João Luiz Vieira.

O cine Comodoro Cinerama


A ideia inicial era pesquisar e guardar tudo que eu pudesse encontrar sobre o cine Comodoro e, mais tarde, publicar um livro. Em 2007, minha amiga bibliotecária e escritora Roseli Pedroso, mostrou-me a ferramenta Blogger para a criação de blogs. Ela estava criando o seu blog sobre biblioteconomia, o Bibliotequices & Afins.

Era o que faltava para se homenagear o cine Comodoro! Rapidamente comecei a criar o meu primeiro blog.

Minha esposa iniciou uma Pós-graduação no Mackenzie e passei a levá-la. No aguardo do término das aulas, aproveitava o tempo livre para fazer pesquisas na biblioteca de arquitetura da universidade. Foi quando consegui um volume enorme de fotos e informações sobre os antigos cinemas de São Paulo. 

Fiquei fascinado com a qualidade do material adquirido e a ideia de homenagear o cine Comodoro se ampliou. O blog, agora, passava a contar a história de todos os antigos e atuais cinemas de São Paulo. O blog Salas de Cinema de São Paulo acabava de ser criado!

O início foi muito difícil. Tinha muito material e pouco tempo para publicar. Tive que fazer uma grande mudança no blog: dividi-lo em dois - ou melhor, criar mais um: o blog Salas de Cinema de São Paulo - Banco de Dados. Não dava para misturar as informações de cada cinema com textos (crônicas, memórias, biografias, etc.). Demorou um ano para que o layout dos dois blogs fosse concluído.

Tenho muito orgulho de ter criado os sites 
Salas de Cinema de São Paulo! Agora com os domínios adquiridos. 
As páginas já possuem uma enorme quantidade de informações sobre a história dos cinemas de São Paulo e são cultuadas por pesquisadores, universitários e amantes da sétima arte.

Recentemente, de 2013 a 2018, voltei a frequentar os cinemas. 
Desta vez, na região da Av. Paulista, semanalmente, nos dias do rodízio do meu carro. Uma deliciosa e inesquecível maratona de mais de 160 filmes assistidos!

A experiência de assistir os filmes no cinema é infinitamente superior a assisti-los em casa.

Deixo aqui, nesse texto, um pouco de minha trajetória com o mundo do cinema. Um mundo de histórias reais e fictícias que nos emocionam. A chamada Sétima Arte que, para mim, é a soma de todas as artes!

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Foto de Yago Moreira

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CINE BELAS ARTES, À LA CARTE E PANDORA FILMES

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BIBLIOGRAFIA DO SITE

PRINCIPAIS FONTES DE PESQUISA

1. Arquivos institucionais e privados

Bibliotecas da Cinemateca Brasileira, FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Mackenzie.

2. Principais publicações

Acervo digital dos jornais Correio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

Acervo digital dos periódicos A Cigarra, Cine-Reporter e Cinearte.

Site Arquivo Histórico de São Paulo - Inventário dos Espaços de Sociabilidade Cinematográfica na Cidade de São Paulo: 1895-1929, de José Inácio de Melo Souza.

Periódico Acrópole (1938 a 1971)

Livro Salões, Circos e Cinemas de São Paulo, de Vicente de Paula Araújo - Ed. Perspectiva - 1981

Livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões - PW/Secretaria Municipal de Cultura/Secretaria de Estado da Cultura - 1990

Site Novo Milênio, de Santos - SP
www.novomilenio.inf.br/santos

FONTES DE IMAGEM

Periódico Acrópole - Fotógrafos: José Moscardi, Leon Liberman, P. C. Scheier e Zanella.

Fotos exclusivas com publicação autorizada no site dos acervos particulares de Joel La Laina Sene, Caio Quintino,
Luiz Carlos Pereira da Silva e Ivany Cury.

PRINCIPAIS COLABORADORES

Luiz Carlos Pereira da Silva e João Luiz Vieira.

OUTRAS FONTES: INDICADAS NAS POSTAGENS.